SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023
Um paciente de 21 anos procura o ambulatório com queixas de pirose ocasional e episódios esporádicos de dificuldade para engolir. Nega disfagia no dia a dia, mas relata alguns episódios em que “o alimento fica preso” no esôfago, o que o obriga a forçar o vômito para obter alívio. Como antecedentes referia, apenas, rinite alérgica e passado de apendicectomia. Qual dos exames abaixo seria fundamental para o diagnóstico desse caso?
Paciente jovem com disfagia intermitente, impactação alimentar e atopia → suspeitar Esofagite Eosinofílica. Diagnóstico = EDA com biópsias.
A Esofagite Eosinofílica (EEo) deve ser suspeitada em pacientes jovens com sintomas esofágicos atípicos, como disfagia intermitente e impactação alimentar, especialmente se houver histórico de atopia. O diagnóstico definitivo requer endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias esofágicas para contagem de eosinófilos.
A Esofagite Eosinofílica (EEo) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, caracterizada por uma infiltração eosinofílica predominantemente mediada por alérgenos. É uma causa crescente de disfagia e impactação alimentar em crianças e adultos jovens, sendo importante reconhecer seus sintomas atípicos e a associação com outras condições atópicas. Sua prevalência tem aumentado globalmente, tornando-a um diagnóstico relevante na prática clínica. A fisiopatologia envolve uma resposta imune tipo Th2 a antígenos alimentares ou aeroalérgenos, resultando na liberação de citocinas que promovem a migração e ativação de eosinófilos no esôfago. A suspeita clínica surge em pacientes com disfagia, impactação alimentar, dor torácica ou pirose refratária. O diagnóstico definitivo requer endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias esofágicas de diferentes níveis, mesmo na ausência de achados macroscópicos como anéis, estenoses ou exsudatos, para identificar a eosinofilia esofágica. O tratamento visa reduzir a inflamação e aliviar os sintomas, podendo incluir inibidores de bomba de prótons, corticosteroides tópicos (fluticasona, budesonida) e dietas de eliminação. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a falta de tratamento pode levar a complicações como estenoses e impactações recorrentes. É fundamental que residentes estejam cientes da EEo para um diagnóstico e manejo precoces, evitando morbidade e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Os principais sintomas incluem disfagia intermitente, impactação alimentar (sensação de alimento preso no esôfago), pirose e dor torácica. Em crianças, pode manifestar-se como recusa alimentar ou vômitos.
A biópsia é crucial porque o diagnóstico de Esofagite Eosinofílica é histológico, baseado na presença de >15 eosinófilos por campo de grande aumento em pelo menos uma biópsia esofágica, mesmo que a endoscopia macroscópica seja normal.
Existe uma forte associação entre Esofagite Eosinofílica e doenças atópicas, como asma, rinite alérgica, eczema e alergias alimentares. A EEo é considerada uma doença inflamatória crônica de natureza alérgica.
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