Esofagite Eosinofílica: Diagnóstico em Casos de Disfagia

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 32 anos, sexo masculino, consulta pela primeira vez no ambulatório de gastroenterologia, basicamente por queixa de disfagia proximal, há cerca de um ano, com entalos frequentes e até a necessidade de endoscopia de urgência para retirada de bolo alimentar impactado.Nesse caso, qual é a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Acalásia e para essa definição, deve ser realizado o exame de endoscopia digestiva alta.
  2. B) Esofagite eosinofílica, especialmente se a endoscopia revelar fenômeno de felinização do esôfago e friabilidade do tipo papel crepom.
  3. C) Adenocarcinoma de esôfago, especialmente em portadores de doença do refluxo de longa data, cujo epitélio do esôfago proximal pode ter sofrido metaplasia
  4. D) Disfagia lusória, podendo ser necessária inclusive a realização de arteriografia, para detectar a presença de artéria subclávia esquerda aberrante.

Pérola Clínica

Disfagia proximal + impacto alimentar em jovem = suspeitar Esofagite Eosinofílica. Endoscopia pode mostrar anéis, felinização.

Resumo-Chave

A esofagite eosinofílica deve ser fortemente suspeitada em pacientes jovens com disfagia e histórico de impactação alimentar, especialmente se houver achados endoscópicos como anéis esofágicos, estenoses ou "felinização". O diagnóstico definitivo requer biópsias esofágicas.

Contexto Educacional

A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, imunomediada, caracterizada pela infiltração de eosinófilos na mucosa esofágica. É uma causa importante de disfagia e impactação alimentar em crianças e adultos jovens, especialmente homens. A prevalência tem aumentado, tornando seu reconhecimento crucial. O quadro clínico típico inclui disfagia para sólidos, impactação alimentar e, em crianças, recusa alimentar ou dor abdominal. A endoscopia digestiva alta pode revelar achados sugestivos como anéis esofágicos (esôfago traquealizado), estenoses, exsudatos brancos (placas de eosinófilos), sulcos longitudinais e friabilidade da mucosa ("papel crepom" ou "felinização"). O diagnóstico definitivo é histopatológico, com a presença de ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias de diferentes segmentos esofágicos, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica (como DRGE). O tratamento envolve dieta de eliminação, inibidores da bomba de prótons (IBP) e corticosteroides tópicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas que sugerem esofagite eosinofílica?

Os principais sintomas incluem disfagia para sólidos, impactação alimentar (sensação de alimento preso no esôfago), dor torácica não cardíaca e, em crianças, recusa alimentar ou vômitos. A história de atopia (asma, rinite, eczema) é comum.

Quais achados endoscópicos são característicos da esofagite eosinofílica?

A endoscopia pode revelar anéis esofágicos (esôfago traquealizado), estenoses, exsudatos brancos (placas de eosinófilos), sulcos longitudinais e friabilidade da mucosa, descrita como "papel crepom" ou "felinização" do esôfago.

Como é feito o diagnóstico definitivo da esofagite eosinofílica?

O diagnóstico definitivo é histopatológico, exigindo a presença de ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias de diferentes segmentos esofágicos (proximal e distal), após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico.

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