Esofagite Eosinofílica: Diagnóstico e Sinais Chave

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Escolar, masculino, 6 anos é levado à emergência para realizar endoscopia digestiva alta para retirada de alimento impactado. Há 2 anos vem apresentando episódios de dor epigástrica e, em algumas vezes, apresentou dificuldade de engolir alimentos sólidos. Tem antecedentes de atopias cutâneas e respiratórias. História familiar: a mãe tem alergias alimentares. Durante a endoscopia, além de pedaço de carne em terço inferior do esófago, foram visualizadas estrias longitudinais em toda a circunferência esofágica, associadas à pangastrite. Exames laboratoriais: hemograma com série vermelha normal, 12000 leucócitos/mm³, com 2% bastonados, 35% neutrófilos, 12% eosinófilos, 46% linfócitos e 5% de monócitos; IgE sérica elevada. Em relação ao caso, qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Doença do refluxo gastroesofágico
  2. B) Síndrome de Loeffler
  3. C) Esófago de Barret
  4. D) Esofagite eosinofílica

Pérola Clínica

Esofagite eosinofílica: disfagia + atopias + eosinofilia periférica/tecido + estrias esofágicas.

Resumo-Chave

A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica do esôfago, frequentemente associada a atopias e alergias alimentares. A presença de disfagia, impactação alimentar, estrias longitudinais na endoscopia e eosinofilia (periférica e/ou tecidual) são achados-chave para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A esofagite eosinofílica (EE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, imunomediada, caracterizada por uma infiltração predominante de eosinófilos na mucosa esofágica. Sua prevalência tem aumentado, sendo uma causa importante de disfagia e impactação alimentar em crianças e adultos jovens. É crucial para residentes reconhecerem o perfil clínico, que frequentemente inclui histórico de atopias (asma, rinite, dermatite atópica) e alergias alimentares. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com disfagia persistente ou impactação alimentar, especialmente se refratários ao tratamento para DRGE. O diagnóstico da EE baseia-se na combinação de sintomas clínicos, achados endoscópicos e histopatológicos. Endoscopicamente, podem ser observadas estrias longitudinais, anéis concêntricos, exsudatos esbranquiçados ou estenoses. No entanto, a endoscopia pode ser normal em até 10% dos casos. O achado patognomônico é a presença de mais de 15 eosinófilos por campo de grande aumento (CGA) em biópsias esofágicas, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica, como DRGE grave. Exames laboratoriais podem revelar eosinofilia periférica e IgE sérica elevada, reforçando a suspeita. O tratamento da EE visa reduzir a inflamação esofágica e aliviar os sintomas. As principais abordagens incluem dietas de eliminação (especialmente para alérgenos alimentares comuns), inibidores da bomba de prótons (IBP) em altas doses (para excluir esofagite eosinofílica responsiva a IBP) e corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona ou budesonida). Em casos de estenoses, pode ser necessária dilatação endoscópica. O manejo é crônico e requer acompanhamento regular para monitorar a resposta ao tratamento e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da esofagite eosinofílica em crianças?

Os sintomas mais comuns incluem disfagia (dificuldade para engolir), dor epigástrica, vômitos, impactação alimentar e, em lactentes, recusa alimentar e baixo ganho de peso. Frequentemente, há histórico de atopias.

Quais achados na endoscopia sugerem esofagite eosinofílica?

Na endoscopia, podem ser observadas estrias longitudinais (sulcos), anéis concêntricos (esôfago traquealizado), exsudatos esbranquiçados, edema e friabilidade da mucosa. A biópsia é essencial para confirmar a eosinofilia tecidual.

Como a eosinofilia se relaciona com a esofagite eosinofílica?

A eosinofilia é um marcador importante. Pode haver eosinofilia periférica no hemograma, mas o diagnóstico definitivo requer a presença de mais de 15 eosinófilos por campo de grande aumento (CGA) em biópsias esofágicas, após exclusão de outras causas.

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