CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Qual o esforço acomodativo de um paciente de 37 anos, cuja refração estática é +1,00 DE -4,00 DC x 90°, para ler a uma distância de 20 cm?
Esforço acomodativo = Demanda (1/d) + Erro refracional (Equivalente Esférico).
Para ler a 20cm (5D de demanda), um paciente com equivalente esférico de -1.00D (míope) já contribui com 1D de foco natural, necessitando de apenas 4D de esforço adicional.
O entendimento da óptica fisiológica é essencial para a prescrição correta de lentes e para a compreensão de queixas de astenopia (fadiga ocular). O esforço acomodativo é o trabalho realizado pelo cristalino, através da contração do músculo ciliar, para aumentar o poder dióptrico do olho e permitir a visão de perto. Em pacientes com astigmatismo, utilizamos o equivalente esférico para simplificar o cálculo do esforço médio. A relação entre a idade e a perda da amplitude de acomodação (presbiopia) também é um fator clínico crucial, embora nesta questão o foco seja puramente o cálculo físico-óptico da demanda versus a refração estática apresentada.
O equivalente esférico é uma medida que representa o poder dióptrico médio de uma lente esferocilíndrica. Ele é calculado somando-se o valor da dioptria esférica a metade do valor da dioptria cilíndrica. No caso da questão (+1,00 DE -4,00 DC), o cálculo é: EE = +1,00 + (-4,00 / 2) = +1,00 - 2,00 = -1,00 D. Este valor é fundamental para entender como o olho se comporta em relação ao foco infinito e qual será a carga de trabalho do músculo ciliar durante a acomodação para objetos próximos.
A demanda acomodativa é inversamente proporcional à distância do objeto em metros. A fórmula é D = 1/d, onde 'D' é a demanda em dioptrias e 'd' é a distância em metros. Para uma distância de leitura de 20 cm (0,2 metros), a demanda total para focar o objeto é de 1 / 0,2 = 5,00 dioptrias. Se o paciente fosse emétrope (visão perfeita para o infinito), ele precisaria exercer exatamente essas 5 dioptrias de esforço acomodativo para enxergar com clareza a essa distância.
O esforço acomodativo real depende da relação entre a demanda da distância e o estado refracional prévio do olho. Pacientes míopes têm um ponto remoto mais próximo, o que significa que seu olho já possui um excesso de poder convergente natural para perto; assim, eles fazem menos esforço acomodativo do que emétropes. Já os hipermetropes precisam acomodar primeiro para corrigir sua falha de foco para o infinito e, depois, adicionar mais esforço para perto. No exemplo, o paciente tem EE de -1,00 D (míope de 1 dioptria), o que 'ajuda' no foco de perto, reduzindo o esforço necessário de 5D para 4D.
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