CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente de 37 anos de idade, correção atual para o OD: +0,25DE () -2,50DC 180. A refração estática revelou + 2,25DE () -4,00DC 180. A lente prescrita foi de +1,50DE () -4,00DC 180. De que forma a nova prescrição interferiu no esforço acomodativo da paciente, em relação à correção atual e à situação sem correção, respectivamente?
Lentes positivas (plus) relaxam a acomodação; o aumento do poder esférico positivo reduz o esforço acomodativo.
Ao prescrever uma lente com maior poder esférico positivo (+1,50 vs +0,25), reduz-se a necessidade de o paciente usar sua própria acomodação para focar a imagem, diminuindo o esforço em relação à correção anterior.
O esforço acomodativo é uma resposta fisiológica do olho para compensar erros refrativos, especialmente a hipermetropia. Na prática oftalmológica, a prescrição de lentes visa equilibrar a acuidade visual com o conforto do paciente. Em adultos jovens, a acomodação é vigorosa, e prescrições que não consideram a refração estática (cicloplégica) podem levar à astenopia (fadiga ocular). Neste caso clínico, a análise do equivalente esférico e dos meridianos principais é crucial. A nova prescrição aproxima o paciente de sua neutralidade óptica, mas a relação entre a correção do cilindro e a esfera determina onde a imagem final se projeta. O entendimento dessas variações é fundamental para residentes de oftalmologia dominarem a arte da refração clínica.
Em pacientes hipermetropes, o ponto focal se forma teoricamente atrás da retina. Para enxergar com clareza, o paciente utiliza o músculo ciliar para aumentar o poder dióptrico do cristalino (acomodação), trazendo o ponto focal para a retina. Quando prescrevemos uma lente positiva (convergente), a lente realiza parte ou todo esse trabalho de convergência, permitindo que o músculo ciliar relaxe, diminuindo assim o esforço acomodativo.
A comparação entre a correção atual (+0,25 esférico) e a nova prescrição (+1,50 esférico) mostra um aumento significativo no poder positivo. Como a refração estática (sob cicloplegia) revelou uma hipermetropia de +2,25, a nova lente de +1,50 cobre uma parcela maior do erro refrativo do que a anterior, resultando em menor necessidade de acomodação residual para o paciente.
Esta é uma interpretação baseada na dinâmica do círculo de menor confusão e na aceitação da lente. Em alguns casos de astigmatismo elevado e não corrigido, o paciente pode 'desistir' de acomodar por não conseguir uma imagem nítida. Ao colocar uma correção parcial que melhora a acuidade mas ainda deixa erro residual, o sistema visual pode ser estimulado a tentar focar, aumentando o esforço em comparação ao estado de 'borramento total' prévio.
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