DRGE: Fisiopatologia e Diagnóstico do Refluxo

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Sobre a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), assinale a opção INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O esfíncter esofagiano inferior localiza-se logo acima da junção esofagogástrica, é uma estrutura anatômica que possui uma pressão mais elevada que os segmentos adjacentes, contribuindo para evitar o refluxo gastroesofágico.
  2. B) Hérnia hiatal, distensão gástrica e relaxamento anômalo da musculatura na região do esfíncter esofagiano inferior podem contribuir para a DRGE.
  3. C) Além de azia e regurgitação, alguns pacientes podem apresentar sintomas menos típicos como tosse, rouquidão e pneumonias de repetição.
  4. D) A manometria esofágica é útil para distinguir pacientes sintomáticos devido a distúrbios da motilidade e não decorrente do refluxo gastroesofágico.
  5. E) Um paciente que não tem melhora com o tratamento clínico com inibidores da bomba de prótons, não será um bom candidato para o tratamento cirúrgico.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas incômodos e/ou complicações. É uma das doenças gastrointestinais mais prevalentes, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes e representando um desafio diagnóstico e terapêutico na prática médica. A compreensão de sua fisiopatologia é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia da DRGE é multifatorial, envolvendo principalmente a disfunção da barreira anti-refluxo, composta pelo esfíncter esofagiano inferior (EEI) e o diafragma. O EEI é uma zona de alta pressão funcional, não uma estrutura anatômica isolada, localizada na junção esofagogástrica. Fatores como hérnia hiatal, relaxamentos transitórios do EEI, distensão gástrica e esvaziamento gástrico lento contribuem para o refluxo. O diagnóstico é frequentemente clínico, baseado em sintomas típicos como azia e regurgitação. No entanto, sintomas atípicos (tosse, rouquidão) podem dificultar o reconhecimento. O tratamento inicial da DRGE geralmente envolve modificações no estilo de vida e inibidores da bomba de prótons (IBP). A manometria esofágica é útil para avaliar a motilidade e a função do EEI, especialmente em casos refratários ou antes de cirurgias. Pacientes que não respondem ao tratamento clínico com IBP e têm refluxo objetivamente confirmado podem ser candidatos à cirurgia anti-refluxo (fundoplicatura). É um erro comum pensar que a falta de resposta ao IBP automaticamente exclui a cirurgia; na verdade, pode indicar a necessidade de investigação mais aprofundada e, se houver refluxo patológico, a cirurgia pode ser uma opção viável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento da DRGE?

Os principais fatores incluem a disfunção do esfíncter esofagiano inferior (EEI), relaxamentos transitórios do EEI, hérnia hiatal, distensão gástrica, esvaziamento gástrico retardado e alterações na depuração esofágica do ácido. A combinação desses fatores leva ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.

Além da azia e regurgitação, quais outros sintomas podem indicar DRGE?

Pacientes com DRGE podem apresentar sintomas extra-esofágicos como tosse crônica, rouquidão, laringite, asma de difícil controle, dor torácica não cardíaca, erosões dentárias e pneumonias de repetição. Esses sintomas podem ser o único sinal da doença em alguns casos.

Quando a manometria esofágica é indicada na investigação da DRGE?

A manometria esofágica é indicada para avaliar a motilidade esofágica e a função do EEI, sendo útil para diferenciar a DRGE de outros distúrbios de motilidade. É essencial antes de uma cirurgia anti-refluxo para mapear a anatomia funcional e descartar acalasia ou esclerodermia, que contraindicariam o procedimento.

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