Esferocitose Hereditária: Diagnóstico e Sinais Clínicos

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015

Enunciado

Pré-escolar de quatro anos de idade apresenta quadro de anemia importante. Na anamnese, não há nada significativo na sua história pré-natal, todavia na primeira semana de vida teve icterícia que resolveu com fototerapia. Na investigação da icterícia, foram afastadas: incompatibilidade ABO, Rh e deficiência de G6PD. O teste do pezinho (fase III) foi normal. Antecedentes familiares: seus pais são do norte da Europa, o pai foi esplenectomizado aos oito anos de idade e a mãe submetida à colecistectomia quando era adolescente. Ao exame físico,o lactente apresenta-se em estado regular, pálido, anictérico e baço palpável a 4 cm do rebordo costal esquerdo, de consistência parenquimatosa. Qual tipo de anemia é mais provável para essa criança?

Alternativas

  1. A) Anemia falciforme.
  2. B) Anemia de Fanconi.
  3. C) Anemia de Cooley.
  4. D) Anemia ou Doença de Minkowsky-Chauffard. 

Pérola Clínica

Icterícia neonatal + anemia hemolítica + esplenectomia/colecistectomia familiar + baço palpável → Esferocitose Hereditária (Minkowsky-Chauffard).

Resumo-Chave

O quadro clínico de icterícia neonatal, anemia importante, história familiar de esplenectomia e colecistectomia (sugerindo cálculos biliares por hemólise crônica) e esplenomegalia no lactente são altamente sugestivos de Esferocitose Hereditária, também conhecida como Doença de Minkowsky-Chauffard, uma anemia hemolítica congênita.

Contexto Educacional

A Esferocitose Hereditária, também conhecida como Doença de Minkowsky-Chauffard, é a anemia hemolítica hereditária mais comum em populações de ascendência europeia. Caracteriza-se por um defeito nas proteínas da membrana eritrocitária (espectrina, anquirina, banda 3, proteína 4.2), que resulta em eritrócitos esféricos e menos deformáveis, tornando-os mais suscetíveis à destruição no baço. É uma condição importante para residentes, pois seu diagnóstico precoce e manejo adequado podem prevenir complicações significativas. Clinicamente, a Esferocitose Hereditária manifesta-se com anemia hemolítica de intensidade variável, icterícia (frequentemente neonatal prolongada e que pode exigir fototerapia), e esplenomegalia. A hemólise crônica pode levar à formação de cálculos biliares (colelitíase), justificando a história de colecistectomia em familiares. A história familiar de esplenectomia é um forte indicativo, pois a esplenectomia é o tratamento definitivo para reduzir a hemólise em casos graves, removendo o principal local de destruição dos esferócitos. O diagnóstico é baseado na tríade clínica (anemia, icterícia, esplenomegalia), história familiar e achados laboratoriais. O esfregaço de sangue periférico periférico revela esferócitos sem palidez central, e o teste de fragilidade osmótica confirma a maior suscetibilidade dos eritrócitos à lise em soluções hipotônicas. O tratamento varia de suporte transfusional em casos graves a esplenectomia em pacientes sintomáticos ou com complicações, geralmente após os 5-6 anos de idade para evitar riscos infecciosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Esferocitose Hereditária?

Os achados clássicos incluem anemia hemolítica crônica, icterícia (especialmente neonatal prolongada), esplenomegalia e, em casos mais graves, colelitíase devido à hemólise crônica.

Qual o padrão de herança da Esferocitose Hereditária?

A Esferocitose Hereditária é mais frequentemente herdada de forma autossômica dominante, o que explica a história familiar de acometimento em pais ou outros parentes.

Quais exames complementares auxiliam no diagnóstico da Esferocitose Hereditária?

O esfregaço de sangue periférico mostra esferócitos, e o teste de fragilidade osmótica é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, demonstrando a fragilidade aumentada dos eritrócitos.

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