Escorpionismo Pediátrico: Manejo do Choque Cardiogênico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 4 anos de idade, vítima de picada por escorpião, chega à sala de emergência pediátrica uma hora após o acidente apresentando sudorese profusa, piloereção, vômitos incoercíveis, frequência cardíaca 150 bpm, frequência respiratória 40 ipm, pressão arterial 85/50 mmHg, pulsos centrais finos e tempo de enchimento capilar 5 segundos. À ausculta pulmonar, há estertores finos difusos e a saturação periférica de oxigênio (SpO₂) é de 90% em ar ambiente. Logo após a admissão, é colocado coxim abaixo do occipício, feita aspiração de vias aéreas superiores, administrado oxigênio por máscara não reinalante e administradas 6 ampolas de soro antiescorpiónico via endovenosa. A SpO₂ após início da oxigenoterapia é de 94%, mas o quadro hemodinâmico se mantém inalterado.O próximo passo do tratamento é iniciar por infusão EV continua:

Alternativas

  1. A) Norepinefrina.
  2. B) Dobutamina.
  3. C) Epinefrina.
  4. D) Vasopressina.

Pérola Clínica

Escorpionismo grave com choque cardiogênico (EAP, hipotensão, pulsos finos) após soro → Dobutamina EV.

Resumo-Chave

A picada de escorpião, especialmente em crianças, pode levar a um quadro grave de escorpionismo com disfunção miocárdica e choque cardiogênico, manifestado por hipotensão, taquicardia, pulsos finos e sinais de congestão pulmonar (estertores, SpO2 baixa). Após a administração do soro antiescorpiónico, se o choque hemodinâmico persistir, o inotrópico de escolha é a dobutamina para melhorar a contratilidade cardíaca.

Contexto Educacional

O escorpionismo é uma emergência médica importante, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em crianças, a picada de escorpião pode levar a quadros graves com alta morbidade e mortalidade, devido à maior proporção de veneno por peso corporal e à imaturidade fisiológica. A toxicidade do veneno de escorpião, especialmente do gênero Tityus, é neurotóxica e cardiotóxica, levando a uma liberação massiva de catecolaminas e disfunção miocárdica. A fisiopatologia do escorpionismo grave envolve a estimulação adrenérgica e colinérgica, resultando em manifestações como vômitos, sudorese, taquicardia, hipertensão inicial seguida de hipotensão e, crucialmente, disfunção miocárdica que pode evoluir para choque cardiogênico e edema agudo de pulmão. O diagnóstico é clínico, baseado na história da picada e nos sintomas. A avaliação rápida do estado hemodinâmico e respiratório é fundamental para classificar a gravidade e iniciar o tratamento. O tratamento do escorpionismo grave inclui medidas de suporte, como oxigenoterapia, aspiração de vias aéreas e, principalmente, a administração do soro antiescorpiónico. Se, após o soro, o paciente persistir com choque cardiogênico (hipotensão, sinais de hipoperfusão, congestão pulmonar), a dobutamina é o inotrópico de escolha para melhorar a contratilidade cardíaca e o débito. Outros vasopressores podem ser considerados se houver vasodilatação persistente ou choque refratário, mas o foco inicial é na disfunção miocárdica. O manejo deve ser em ambiente de terapia intensiva pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de escorpionismo grave em crianças?

Sinais de escorpionismo grave incluem vômitos incoercíveis, sudorese profusa, piloereção, sialorreia, bradicardia ou taquicardia, hipotensão ou hipertensão, choque cardiogênico, edema agudo de pulmão e convulsões.

Por que a dobutamina é o inotrópico de escolha no choque cardiogênico por escorpionismo?

A dobutamina é preferida porque o veneno do escorpião pode causar disfunção miocárdica direta (miocardite tóxica), levando a choque cardiogênico. A dobutamina, um agonista beta-1, aumenta a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, melhorando a perfusão tecidual.

Qual o papel do soro antiescorpiónico no tratamento?

O soro antiescorpiónico é o tratamento específico para neutralizar o veneno circulante. Ele deve ser administrado o mais precocemente possível em casos moderados a graves para reduzir a toxicidade sistêmica e prevenir a progressão do quadro clínico.

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