Escorpionismo Pediátrico: Choque Cardiogênico e Pressão de Pulso

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 4 anos vem ao pronto atendimento 20 minutos após picada de escorpião. Enfermeira do plantão chama referindo que a criança está vomitando, tem pele fria e pegajosa, pulsos radiais finos e os seguintes sinais vitais: Frequência cardíaca variando entre 80 bpm e 170 bpm, pressão em membro superior direito 120/105 mmHg, frequência respiratória de 40 irpm, saturação de oxigênio 95%. Após o atendimento da paciente, a enfermeira pede para tirar uma dúvida do caso com você: Se a pressão estava alta, por que o pulso estava fino? Qual o mecanismo mais adequado para explicar a dúvida apresentada?

Alternativas

  1. A) Pressões sistólica e diastólica muito convergentes.
  2. B) Pressão é medida em vaso central e pulso na periferia.
  3. C) Importante redução da fração de ejeção do miocárdio.
  4. D) Efeito arterial da liberação colinérgica do veneno.

Pérola Clínica

Escorpionismo grave em criança: PA alta com pulso fino → choque cardiogênico por disfunção miocárdica e pressão de pulso convergente.

Resumo-Chave

A picada de escorpião pode causar liberação maciça de catecolaminas e acetilcolina, levando a disfunção miocárdica grave. A pressão arterial elevada (especialmente a diastólica) com pulso fino e pele fria sugere choque cardiogênico, onde a redução do débito cardíaco leva a uma pressão de pulso convergente (diferença pequena entre sistólica e diastólica).

Contexto Educacional

A picada de escorpião em crianças, especialmente por espécies do gênero Tityus, pode levar a um quadro grave de escorpionismo, caracterizado por uma intensa disfunção autonômica. O veneno age nos canais de sódio e potássio, promovendo a liberação maciça de neurotransmissores como catecolaminas (adrenalina, noradrenalina) e acetilcolina. Essa "tempestade autonômica" leva a uma série de manifestações sistêmicas, com destaque para os efeitos cardiovasculares. No contexto cardiovascular, a liberação de catecolaminas causa vasoconstrição periférica e aumento da resistência vascular sistêmica, o que pode elevar a pressão arterial. No entanto, a disfunção miocárdica direta, induzida tanto pelas catecolaminas quanto pela acetilcolina, pode levar a uma redução significativa da fração de ejeção e do débito cardíaco, culminando em choque cardiogênico. Apesar da pressão arterial sistólica poder estar elevada (devido à vasoconstrição intensa), a redução do débito cardíaco e o aumento da resistência periférica resultam em uma pressão de pulso convergente (diferença pequena entre a sistólica e a diastólica) e pulsos periféricos finos. A pele fria e pegajosa é um sinal de má perfusão tecidual, reforçando a hipótese de choque, mesmo com a PA aparentemente alta. O tratamento visa o suporte hemodinâmico e a administração de soro antiescorpiônico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais efeitos cardiovasculares do veneno de escorpião em crianças?

O veneno de escorpião pode causar uma tempestade autonômica, levando à liberação de catecolaminas e acetilcolina. Isso resulta em taquicardia, hipertensão arterial, disfunção miocárdica, edema pulmonar e choque cardiogênico.

Como a pressão de pulso convergente se relaciona com o choque cardiogênico?

A pressão de pulso convergente (diferença pequena entre a pressão sistólica e diastólica) é um sinal de baixo débito cardíaco e aumento da resistência vascular periférica, frequentemente observado no choque cardiogênico, mesmo com pressão arterial sistólica inicialmente preservada ou elevada.

Por que a pele fria e pegajosa é um sinal de alerta no escorpionismo grave?

A pele fria e pegajosa indica vasoconstrição periférica e má perfusão tecidual, um sinal de choque. No escorpionismo, isso pode ser um reflexo da resposta simpática exacerbada e da falência do coração em manter um débito cardíaco adequado.

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