SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menino, 5 anos de idade, foi picado por escorpião no pé esquerdo há 1 hora. Tem muita dor e o local da picada está hiperemiado e edemaciado, sem áreas de necrose. Mesmo após receber analgesia, queixa de dor, vomitou 3 vezes, está sonolento com momentos de agitação, tem sudorese e salivação profusas, FC = 146 bpm, FR = 38 mrm. Qual a evolução esperada do quadro apresentado, sem receber soroterapia, e quais exames estão indicados para acompanhamento?
Escorpionismo moderado/grave → ↑ Catecolaminas → Miocardite/IC → ECG + Ecocardiograma.
O envenenamento escorpiônico grave em crianças desencadeia uma tempestade adrenérgica, resultando em disfunção miocárdica aguda e risco de edema pulmonar, exigindo monitorização cardíaca rigorosa.
O escorpionismo é uma urgência médica comum no Brasil, com maior morbimortalidade na faixa etária pediátrica. O quadro clínico descrito (vômitos, sudorese, alteração de consciência e taquicardia) classifica o acidente como grave, exigindo soroterapia específica (SAEsc ou SAV) e suporte em unidade de terapia intensiva. A fisiopatologia é dominada pelo efeito das neurotoxinas no sistema nervoso autônomo. A evolução natural do quadro grave sem tratamento envolve a descompensação hemodinâmica. A monitorização cardíaca é mandatória, pois a falência do ventrículo esquerdo é a principal causa de óbito. O tratamento foca na neutralização do veneno circulante e no suporte inotrópico, se necessário, visando estabilizar a função cardíaca e prevenir o edema agudo de pulmão.
O veneno do escorpião, especialmente do gênero Tityus, promove a abertura de canais de sódio, levando a uma liberação maciça de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) e acetilcolina. Essa 'tempestade autonômica' causa vasoconstrição periférica, aumento da pós-carga e ação tóxica direta no miocárdio, resultando em miocardite inflamatória e disfunção ventricular esquerda, que pode evoluir para insuficiência cardíaca congestiva e edema agudo de pulmão.
Além da dor local intensa, os sinais de envenenamento sistêmico (moderado a grave) incluem vômitos profusos e repetidos, sudorese, sialorreia, agitação ou sonolência, taquicardia, hipertensão arterial e taquipneia. A presença de vômitos é um marcador clínico importante para a necessidade de soroterapia antiescorpiônica imediata em ambiente hospitalar.
Os exames fundamentais focam na avaliação cardiovascular: Eletrocardiograma (ECG) para detectar arritmias, distúrbios de repolarização ou ondas Q patológicas; Ecocardiograma para avaliar a fração de ejeção e contratilidade miocárdica; e dosagem de biomarcadores como Troponina e CK-MB. A radiografia de tórax também é útil para identificar sinais de congestão pulmonar ou aumento da área cardíaca.
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