Escorpionismo em Crianças: Manejo e Tratamento da Picada

UOPCCAN - União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (PR) — Prova 2021

Enunciado

Criança de 7 anos sofre acidente com animal peçonhento Titus Serrulatus evoluindo com quadro grave. Assinale a alternativa que corresponde a possíveis evoluções e as medidas a serem tomadas:

Alternativas

  1. A) Trata-se de animal peçonhento, escorpião preto, tem baixo potencial de risco a vida, deve se investigar outras comorbidades, risco maior é de infecção secundária ou tétano.
  2. B) Trata-se de animal peçonhento, aranha marrom, deve-se usar soro aracnídeo. Por ser proteolítico deve dosar função renal e hidratar e se necessário repetir soro em 24 horas.
  3. C) Trata-se de animal peçonhento, escorpião amarelo, deve-se usar soro escorpiônico, se bradicardia iniciar atropina 0,01 a 0,02 mg/kg peso monitorar com eletrocardiograma.
  4. D) Trata-se de animal peçonhento, vespa sul-americana, não há soro disponível, as medidas clinicas visam diminuir dor e evitar choque anafilático como uso de antihistamínicos e corticoides, metilprednisolona 1 mg/kg.
  5. E) Trata-se de animal peçonhento, serpente Jararaca, deve-se iniciar soro antiofídico crotálico especifico. Monitorar sangramentos devido interferência no fator X e função renal devida ação proteolítica.

Pérola Clínica

Picada Tityus serrulatus (escorpião amarelo) → soro antiescorpiônico + atropina para bradicardia.

Resumo-Chave

O veneno do Tityus serrulatus, escorpião amarelo, é neurotóxico e cardiotóxico, podendo causar bradicardia e outras disautonomias, especialmente em crianças. O tratamento inclui soroterapia específica e manejo sintomático, como atropina para bradicardia.

Contexto Educacional

O escorpionismo é um problema de saúde pública no Brasil, com o Tityus serrulatus (escorpião amarelo) sendo a espécie mais perigosa. Crianças são particularmente vulneráveis devido à menor massa corporal e maior sensibilidade ao veneno, o que pode levar a quadros graves e até fatais. O veneno do Tityus serrulatus possui neurotoxinas que agem nos canais de sódio, causando liberação de catecolaminas e acetilcolina, resultando em manifestações sistêmicas como vômitos, sudorese, taquicardia ou bradicardia, hipertensão ou hipotensão, e choque. O diagnóstico é clínico, baseado na história da picada e nos sintomas. O tratamento é baseado na gravidade. Casos moderados a graves, especialmente em crianças, requerem soro antiescorpiônico. A bradicardia, uma manifestação comum, deve ser tratada com atropina (0,01 a 0,02 mg/kg), e o paciente deve ser monitorado em ambiente hospitalar, com atenção à função cardíaca e respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na picada de escorpião em crianças?

Sinais de gravidade incluem vômitos frequentes, sudorese intensa, taquicardia ou bradicardia, hipertensão ou hipotensão, choque e alterações neurológicas. Em crianças, a progressão para quadros graves é mais rápida.

Qual a dose de atropina para bradicardia por escorpionismo?

A dose recomendada de atropina para bradicardia em crianças por escorpionismo é de 0,01 a 0,02 mg/kg/dose, podendo ser repetida conforme a resposta clínica e monitoramento cardíaco.

Como diferenciar a picada de Tityus serrulatus de outros escorpiões?

A identificação da espécie é ideal, mas nem sempre possível. A picada de Tityus serrulatus é associada a quadros mais graves, com manifestações sistêmicas neurotóxicas e cardiotóxicas, enquanto outras espécies podem causar apenas dor local intensa.

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