UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Assinale a alternativa que apresenta o que NÃO é um critério para a avaliação da gravidade e prognósticos da pancreatite aguda utilizados na prática clínica.
Sinais de Cullen/Gray Turner indicam gravidade (necrose), mas não são escores prognósticos formais como Ranson ou APACHE II.
Os sinais de Cullen (equimose periumbilical) e Gray Turner (equimose em flancos) são manifestações tardias de hemorragia retroperitoneal em pancreatite necro-hemorrágica. Embora indiquem mau prognóstico, não são sistemas de pontuação estruturados para avaliação seriada da gravidade.
A pancreatite aguda é um processo inflamatório do pâncreas cuja gravidade pode variar de um edema leve e autolimitado a uma necrose extensa com falência de múltiplos órgãos. A estratificação precoce do risco é fundamental para guiar a terapia, definir o local de tratamento (enfermaria vs. UTI) e prever o prognóstico. Para isso, foram desenvolvidos diversos escores prognósticos que utilizam dados clínicos e laboratoriais. Os escores mais conhecidos incluem os critérios de Ranson, que avaliam 11 parâmetros na admissão e após 48 horas, e o APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II), um sistema mais complexo que avalia 12 variáveis fisiológicas, idade e status de saúde crônica, podendo ser aplicado a qualquer momento. Outros escores como o BISAP (Bedside Index of Severity in Acute Pancreatitis) foram criados para simplificar a avaliação à beira-leito. Além dos escores, marcadores inflamatórios como a Proteína C Reativa (PCR), especialmente quando acima de 150 mg/dL após 48h, são fortes preditores de necrose pancreática. É crucial diferenciar esses sistemas de pontuação de achados clínicos isolados. Os sinais de Cullen (equimose periumbilical) e Gray Turner (equimose nos flancos) são sinais clássicos de hemorragia retroperitoneal associada à pancreatite necro-hemorrágica. Embora sua presença indique uma doença muito grave e de alta mortalidade, eles são achados tardios e pouco sensíveis, não fazendo parte dos critérios formais dos escores prognósticos utilizados para a avaliação seriada e manejo inicial.
Sinais de gravidade incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), insuficiência respiratória, oligúria, encefalopatia e sinais de SIRS. Marcadores como PCR > 150 mg/dL, hematócrito elevado e ureia aumentada também indicam pior prognóstico.
O APACHE II pode ser calculado a qualquer momento durante a internação, sendo útil nas primeiras 24-48 horas para avaliar a gravidade e o risco de mortalidade. Diferente de Ranson, que exige dados de 48h, o APACHE II oferece uma avaliação mais precoce e dinâmica.
Ranson é mais complexo, exigindo 11 parâmetros coletados na admissão e após 48h. O BISAP é mais simples e pode ser calculado nas primeiras 24h com 5 variáveis (BUN >25, Impaired mental status, SIRS, Age >60, Pleural effusion), oferecendo uma estratificação de risco rápida e eficaz à beira do leito.
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