Escore de Wells e Diagnóstico de TVP: Conduta e Manejo

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente 75 anos, portador de neoplasia de próstata em tratamento com quimioterapia e radioterapia, história de metástase vertebral com paresia em m.m.i.i. Procura a emergência com edema e dor a palpação da panturrilha D. No caso acima descrito qual a probabilidade clínica de TVP de acordo com o escore de wells e qual propedêutica de escolha indicada:

Alternativas

  1. A) Probabilidade intermediária deve-se realizar dosagem D dímero e US com doppler.
  2. B) Probabilidade intermediária, deve-se realizar dosagem de D dímero e na dependência do resultado realizar US com doppler.
  3. C) Alta probabilidade; realizar dosagem de D dímero e US com doppler.
  4. D) Alta probabilidade, propedêutica escolha US com doppler sem dosagem prévia de D dímero.
  5. E) Moderada probabilidade, mas como a neoplasia é uma condição que aumenta D dímero procedese a ultrassonografia com doppler sem realizar D dímero.

Pérola Clínica

Wells ≥ 3 → Alta probabilidade de TVP → Realizar USG Doppler direto, dispensando D-dímero.

Resumo-Chave

O Escore de Wells estratifica a probabilidade pré-teste de TVP. Em pacientes com alta probabilidade clínica, o D-dímero não deve ser solicitado, pois um resultado negativo não é suficiente para excluir o diagnóstico com segurança.

Contexto Educacional

O diagnóstico de Trombose Venosa Profunda (TVP) baseia-se na integração da probabilidade clínica pré-teste com exames complementares. O Escore de Wells é a ferramenta mais validada para essa estratificação. Pacientes oncológicos, como o do caso, frequentemente pontuam alto devido à neoplasia ativa e possíveis déficits motores (paresia), elevando o risco basal de eventos tromboembólicos. A fisiopatologia da TVP envolve a Tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. No paciente com câncer, a hipercoagulabilidade é exacerbada pela liberação de substâncias pró-coagulantes pelas células tumorais e pelo próprio tratamento quimioterápico. A escolha da propedêutica correta evita custos desnecessários e exposição a riscos, focando na ultrassonografia como padrão-ouro para confirmação diagnóstica em cenários de alta suspeição.

Perguntas Frequentes

Como é calculado o Escore de Wells para TVP?

O Escore de Wells atribui pontos para critérios clínicos como neoplasia ativa (+1), paralisia ou imobilização recente (+1), acamado por >3 dias ou cirurgia de grande porte (+1), dor local ao longo do sistema venoso profundo (+1), edema em toda a perna (+1), edema de panturrilha >3cm em relação à outra (+1), edema depressível (+1), veias colaterais superficiais não varicosas (+1) e diagnóstico alternativo tão provável quanto TVP (-2). Pontuações ≥ 3 indicam alta probabilidade.

Por que não solicitar D-dímero em pacientes com alta probabilidade?

O D-dímero possui alto valor preditivo negativo, sendo excelente para excluir TVP em pacientes de baixa ou moderada probabilidade. No entanto, em pacientes de alta probabilidade, a prevalência da doença é elevada e a sensibilidade do teste não é suficiente para descartar o diagnóstico com segurança, exigindo obrigatoriamente um exame de imagem como a ultrassonografia com Doppler.

Qual a conduta se a USG Doppler for negativa em paciente de alta probabilidade?

Se a suspeita clínica for muito alta (Wells ≥ 3) e a ultrassonografia inicial for negativa, recomenda-se repetir o exame de imagem em 5 a 7 dias ou considerar outros métodos diagnósticos, como a angiotomografia ou venografia, para descartar trombos em localizações atípicas ou TVP distal.

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