Trauma Pélvico: Avaliação, RTS e Lesão Uretral

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025

Enunciado

Considere um motociclista, vítima de colisão com um carro, que usava capacete e não teve perda da consciência. Refere forte dor no membro inferior direito, ventilando espontaneamente, com oxigênio suplementar, FC=100bpm, PA=100x80mmHg, pulsos cheios e Glasgow=15. Além disso, exames torácico e abdominal normais, crepitação à palpação pélvica, hematoma de bolsa escrotal, importante hematoma na coxa direita e rotação do membro ipsilateral. Considerando o caso, analise as seguintes afirmativas: I. Devido à possibilidade de fratura pélvica, o toque retal está contraindicado, pelo risco de lesão retal. II. O Escore de Trauma Revisado (RTS) leva em consideração variáveis fisiológicas, e, quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de sobrevida. III. A lesão por cisalhamento é a mais comum da uretra bulbar e a sondagem vesical deve ser contraindicada neste caso. Está(ão) CORRETA(S) a(s) afirmativa(a):

Alternativas

  1. A) Apenas I.
  2. B) Apenas II.
  3. C) Apenas II e III.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

RTS avalia Glasgow, PA sistólica, FR; maior pontuação = maior sobrevida.

Resumo-Chave

O Escore de Trauma Revisado (RTS) é uma ferramenta prognóstica que utiliza variáveis fisiológicas (Escala de Coma de Glasgow, Pressão Arterial Sistólica e Frequência Respiratória). Uma pontuação mais alta no RTS está associada a uma maior probabilidade de sobrevida em pacientes traumatizados, sendo útil na triagem e avaliação inicial.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão grave frequentemente associada a mecanismos de alta energia, como colisões automobilísticas e quedas de altura. A avaliação inicial de um paciente com trauma segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização da via aérea, respiração e circulação. Fraturas pélvicas podem causar hemorragia maciça e instabilidade hemodinâmica, sendo uma das principais causas de choque hipovolêmico no trauma. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida do paciente. Na avaliação do trauma pélvico, a inspeção visual pode revelar hematomas (perineal, escrotal), deformidades ou assimetrias. A palpação cuidadosa da pelve pode identificar crepitação ou instabilidade. O toque retal é um componente essencial da avaliação, permitindo verificar a integridade retal, o tônus esfincteriano e a posição da próstata (em homens, uma próstata alta sugere lesão uretral). O Escore de Trauma Revisado (RTS) é uma ferramenta prognóstica que utiliza a Escala de Coma de Glasgow, Pressão Arterial Sistólica e Frequência Respiratória para estimar a gravidade do trauma e a probabilidade de sobrevida, sendo um indicador importante para a triagem e direcionamento do paciente. O tratamento do trauma pélvico envolve a estabilização hemodinâmica, controle da hemorragia (compressão externa, fixadores pélvicos, embolização arterial) e manejo de lesões associadas. A lesão uretral é uma complicação comum em fraturas pélvicas, especialmente a uretra membranosa (posterior) por cisalhamento. A suspeita de lesão uretral (sangue no meato, hematoma escrotal/perineal, próstata alta) contraindica a sondagem vesical, exigindo uretrografia retrógrada para diagnóstico. O prognóstico depende da gravidade das lesões, da presença de choque e da rapidez e eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fratura pélvica em um paciente traumatizado?

Sinais de alerta incluem crepitação à palpação pélvica, dor intensa na região, instabilidade pélvica, hematoma perineal ou escrotal, discrepância no comprimento dos membros inferiores e choque hipovolêmico inexplicável, devido à grande vascularização da pelve.

Quando o toque retal é indicado na avaliação do trauma pélvico?

O toque retal é indicado na avaliação de todo paciente com trauma pélvico ou suspeita de lesão raquimedular. Ele permite avaliar o tônus esfincteriano, a presença de sangue na luva (indicando lesão retal), a posição da próstata (em homens, se alta, sugere lesão uretral) e a integridade da parede retal.

Quais são as contraindicações para a sondagem vesical em pacientes traumatizados?

A sondagem vesical é contraindicada na suspeita de lesão uretral. Sinais de alerta incluem sangue no meato uretral, hematoma escrotal ou perineal, e próstata alta ou não palpável ao toque retal. Nesses casos, deve-se realizar uma uretrografia retrógrada antes de qualquer tentativa de sondagem.

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