MELD-Na: Ouro na Avaliação Prognóstica da Cirrose

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Homem de 49 anos com cirrose alcoólica descompensada (ascite, encefalopatia). Nesse caso, qual marcador tem maior valor prognóstico?

Alternativas

  1. A) TGO/TGP.
  2. B) Bilirrubina total.
  3. C) Escore MELD-Na.
  4. D) GGT.

Pérola Clínica

MELD-Na = Principal preditor de mortalidade em 3 meses na cirrose descompensada.

Resumo-Chave

O MELD-Na incorpora o sódio sérico aos parâmetros tradicionais (Bilirrubina, INR, Creatinina), oferecendo maior acurácia prognóstica em pacientes com ascite e hiponatremia.

Contexto Educacional

A avaliação prognóstica na cirrose evoluiu da classificação de Child-Turcotte-Pugh para modelos matemáticos mais objetivos. O MELD original foi desenvolvido para prever a sobrevida após procedimentos de TIPS, mas sua eficácia em prever mortalidade em lista de espera de transplante levou à sua adoção universal. A adição do sódio (MELD-Na) refinou o modelo, pois a hiponatremia reflete a ativação máxima de sistemas neuro-humorais em resposta à vasodilatação esplâncnica. Pacientes com cirrose alcoólica descompensada apresentam alto risco de complicações infecciosas e renais, tornando o MELD-Na uma ferramenta indispensável para a tomada de decisão clínica e alocação de órgãos.

Perguntas Frequentes

O que compõe o cálculo do MELD-Na?

O MELD-Na (Model for End-Stage Liver Disease com Sódio) utiliza quatro variáveis laboratoriais: Bilirrubina Total, INR (tempo de protrombina), Creatinina sérica e o Sódio sérico. A inclusão do sódio foi fundamental porque a hiponatremia dilucional é um marcador indireto de hipertensão portal grave e síndrome hepatorrenal, conferindo maior risco de morte.

Qual a diferença entre Child-Pugh e MELD-Na?

O Child-Pugh avalia a reserva funcional hepática usando critérios clínicos (ascite, encefalopatia) e laboratoriais (albumina, bilirrubina, INR), sendo útil para estadiamento. Já o MELD-Na é um modelo matemático contínuo e puramente laboratorial, eliminando a subjetividade clínica, o que o torna ideal para priorização em listas de transplante de fígado.

Por que TGO e TGP não são bons marcadores prognósticos na cirrose?

As transaminases (TGO/TGP) indicam necroinflamação hepatocitária aguda. Na cirrose avançada, pode haver pouca massa de hepatócitos restante para liberar essas enzimas, resultando em níveis normais ou pouco elevados apesar da falência hepática grave. Marcadores de função (INR, Bilirrubina) e de complicações (Creatinina, Sódio) são muito mais fidedignos para o prognóstico.

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