SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
O cálculo do MELD para avaliação da gravidade da cirrose leva em conta os seguintes parâmetros:
MELD = Creatinina + Bilirrubina + RNI → Prediz mortalidade em 3 meses na cirrose.
O escore MELD foca em parâmetros de função renal e hepática para priorizar pacientes na fila de transplante, substituindo critérios subjetivos.
O MELD revolucionou a hepatologia ao fornecer uma métrica objetiva para a gravidade da doença hepática. Diferente de classificações anteriores, ele permite uma estratificação contínua, o que é vital para a logística de transplantes. Na prática clínica, o residente deve estar atento a fatores que podem falsear o MELD, como o uso de varfarina (que eleva o RNI sem refletir falência hepática) ou estados de hiperbilirrubinemia não relacionada à cirrose. A compreensão profunda deste escore é fundamental para a tomada de decisão sobre encaminhamento para centros de transplante e manejo de complicações da hipertensão portal.
O cálculo original do MELD (Model for End-Stage Liver Disease) utiliza três variáveis laboratoriais objetivas: a creatinina sérica (refletindo a função renal), a bilirrubina total (refletindo a função excretora hepática) e o RNI (Relação Normatizada Internacional, refletindo a função de síntese proteica e coagulação). Atualmente, em muitos centros, utiliza-se o MELD-Na, que incorpora o sódio sérico, pois a hiponatremia é um preditor independente de mortalidade em pacientes cirróticos. O cálculo é logarítmico e visa prever a sobrevida em 90 dias, sendo a principal ferramenta para alocação de órgãos para transplante hepático no Brasil e nos EUA.
Enquanto o MELD baseia-se exclusivamente em dados laboratoriais objetivos (Creatinina, Bilirrubina e RNI), o escore de Child-Pugh utiliza tanto dados laboratoriais (Bilirrubina, Albumina e RNI/TAP) quanto critérios clínicos subjetivos (presença e gravidade de ascite e encefalopatia hepática). O Child-Pugh é excelente para avaliar o prognóstico global e a reserva funcional do paciente no dia a dia clínico, sendo classificado em A, B ou C. Já o MELD é uma escala contínua mais precisa para determinar a urgência do transplante, minimizando variações de interpretação entre examinadores.
A inclusão da creatinina no MELD reconhece que a disfunção renal é um dos preditores mais fortes de mortalidade em pacientes com doença hepática terminal. A síndrome hepatorrenal ou a lesão renal aguda associada à cirrose elevam drasticamente a pontuação do MELD, sinalizando uma deterioração sistêmica grave. É importante notar que pacientes em diálise recebem automaticamente um valor fixo de creatinina (4.0 mg/dL) para o cálculo, garantindo que a gravidade da falência renal seja adequadamente representada no escore final.
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