Estratificação de Risco na SCA: O Papel do Escore GRACE

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 65 anos, sexo feminino, portadora de hipertensão arterial e dislipidemia, apresenta história de dor torácica em aperto de moderada intensidade, irradiando para o braço esquerdo, com início há cerca de 3 horas, sem melhora com repouso. O eletrocardiograma mostra supradesnivelamento do segmento ST de 0,5 mm em DII, DIII e aVF, com inversão de onda T em V2-V4. O exame de troponina de alta sensibilidade está elevado. Qual é a melhor estratégia de estratificação de risco para essa paciente na sala de emergência?

Alternativas

  1. A) Aplicar o escore GRACE para estratificação de risco de morte e eventos cardiovasculares.
  2. B) Aplicar o escore Chads2 e encaminhar para cineangiocoronariografia imediata.
  3. C) Encaminhar a paciente diretamente para a sala de hemodinâmica, sem necessidade de estratificação adicional.
  4. D) Realizar teste ergométrico para estratificação funcional.

Pérola Clínica

SCA sem supra ST → Estratificar risco com Escore GRACE para definir urgência da cineangiocoronariografia.

Resumo-Chave

O escore GRACE é a ferramenta preferencial para predizer mortalidade e guiar a estratégia invasiva em pacientes com síndrome coronariana aguda.

Contexto Educacional

A estratificação de risco é a pedra angular no manejo da Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASST). Como a apresentação clínica e o prognóstico são heterogêneos, ferramentas como o escore GRACE permitem identificar quem se beneficia de intervenções invasivas rápidas versus quem pode ser manejado de forma mais conservadora.\n\nO uso de troponinas de alta sensibilidade aumentou a detecção de infartos, mas também exige discernimento clínico para diferenciar isquemia coronariana de outras causas de elevação de troponina. O escore GRACE integra dados clínicos, laboratoriais e eletrocardiográficos, oferecendo uma visão holística do risco do paciente, sendo recomendado pelas principais diretrizes (SBC, ESC, AHA) como o método preferencial de estratificação.

Perguntas Frequentes

Quais parâmetros compõem o escore GRACE?

O escore GRACE utiliza oito variáveis independentes colhidas na admissão: idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, nível de creatinina plasmática, classe de Killip (presença de sinais de insuficiência cardíaca), parada cardíaca na admissão, desvio do segmento ST no eletrocardiograma e elevação de biomarcadores cardíacos (troponinas). Ele fornece uma estimativa precisa do risco de morte intra-hospitalar e em seis meses, sendo superior a outros escores como o TIMI para essa finalidade.

Quando indicar cineangiocoronariografia imediata na SCA sem supra?

A estratégia invasiva imediata (em até 2 horas) é indicada para pacientes com critérios de 'muito alto risco', que incluem: instabilidade hemodinâmica ou choque cardiogênico, dor torácica persistente ou recorrente refratária ao tratamento médico, arritmias ventriculares fatais, complicações mecânicas do infarto, insuficiência cardíaca aguda claramente relacionada à isquemia ou depressão recorrente do segmento ST > 1mm em múltiplas derivações com inversão de onda T.

Como interpretar o resultado do escore GRACE?

Pacientes com escore GRACE > 140 são classificados como de alto risco e devem ser submetidos a uma estratégia invasiva precoce (cineangiocoronariografia em até 24 horas). Aqueles com escore entre 109 e 140 são de risco intermediário, com indicação de estratificação invasiva em até 72 horas. Já os pacientes com escore < 109 são considerados de baixo risco, podendo ser submetidos a uma estratégia conservadora inicial ou testes não invasivos antes de considerar o cateterismo.

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