Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Paciente do sexo masculino, 72 anos, previamente hipertenso, chega à emergência com tosse produtiva, febre alta e dispneia há 3 dias. Ao exame físico: PA = 86×54 mmHg, FC = 112 bpm, FR = 34 irpm, SatO₂ = 86% em ar ambiente, Glasgow 13. Ausculta pulmonar: Estertores crepitantes difusos em terço médio basal à direita. Exames complementares: Ureia sérica = 56 mg/dL. Hemograma: leucócitos = 18.000/mm³, Hb = 12,5 g/dL. Rx de tórax a seguir: Pelo escore CURB-65, qual a conduta preconizada?
CURB-65 ≥ 3 → Internação; 4-5 → UTI. Hipotensão + Taquipneia + Glasgow ↓ = Gravidade.
O escore CURB-65 estratifica o risco de mortalidade na PAC. Pacientes com instabilidade hemodinâmica e disfunção orgânica exigem suporte intensivo.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma das principais causas de internação e óbito por doenças infecciosas. A aplicação sistemática de escores de gravidade como o CURB-65 ou o PSI (Pneumonia Severity Index) é fundamental para reduzir a mortalidade através da alocação correta de recursos. Pacientes com CURB-65 de 4 ou 5 apresentam mortalidade superior a 20-30%, justificando o manejo em ambiente de terapia intensiva para monitorização hemodinâmica e suporte ventilatório precoce.
O CURB-65 é um acrônimo para: Confusão mental (Glasgow < 15 ou desorientação), Ureia ≥ 43 mg/dL (ou 19 mg/dL de nitrogênio ureico), Respiração (FR ≥ 30 irpm), Blood pressure (PAS < 90 ou PAD ≤ 60 mmHg) e Idade ≥ 65 anos. Cada item vale 1 ponto. No caso clínico: Confusão (GCS 13) = 1; Ureia (56) = 1; FR (34) = 1; PA (86/54) = 1; Idade (72) = 1. Total = 5 pontos, indicando altíssimo risco de mortalidade e necessidade de UTI.
Além do CURB-65, os critérios da ATS/IDSA são muito utilizados. Critérios maiores: necessidade de ventilação mecânica invasiva ou choque séptico com necessidade de vasopressores. Critérios menores (necessário 3): FR > 30, relação PaO2/FiO2 < 250, infiltrados multilobares, confusão mental, ureia > 42, leucopenia, trombocitopenia, hipotermia ou hipotensão necessitando de reposição volêmica vigorosa. O paciente do caso preenche múltiplos critérios menores e pontuação máxima no CURB-65.
Para pacientes em UTI, a terapia deve ser empírica e de amplo espectro, cobrindo S. pneumoniae, Legionella e gram-negativos. A recomendação padrão é a combinação de um Beta-lactâmico (Ceftriaxona, Cefotaxima ou Ampicilina/Sulbactam) associado a um Macrolídeo (Azitromicina ou Claritromicina) ou uma Fluoroquinolona respiratória (Levofloxacino ou Moxifloxacino). Se houver risco para Pseudomonas ou MRSA, o esquema deve ser ajustado com Piperacilina/Tazobactam ou Vancomicina/Linezolida, respectivamente.
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