Escore de Child-Pugh: Prognóstico na Cirrose Hepática

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015

Enunciado

Homem, 42 anos de idade, internado com queixas de que, há 6 meses, vem apresentando perda ponderal, com astenia. Há 2 meses, notou aumento do volume abdominal, discreta icterícia e colúria e, há 15 dias, notou aparecimento de discreto edema de MMII bilateral. Nega HAS e DM. Etilista desde 16 anos de idade, ingere 70 g/dia de álcool. Ao exame físico, emagrecido, lúcido, orientado, ictérico +/IV; IMC = 17; PA = 100 x 60 mmHg; PR = 60 bpm. Presença de telangiectasias, ginecomastia bilateral simétrica. Macicez móvel presente. Hepatimetria de 4 cm abaixo do rebordo costal. Exames laboratoriais mostram TP: 43% com RNI: 1,7; albumina: 2,8 mg%; bilirrubina total: 3,1 mg%. Diante do quadro exposto, indique o escore a ser utilizado para o prognóstico, com critérios respectivos, e a classificação do paciente.

Alternativas

Pérola Clínica

Child-Pugh Score = Bilirrubina + Albumina + RNI + Ascite + Encefalopatia.

Resumo-Chave

O escore de Child-Pugh avalia a reserva funcional hepática e o prognóstico em pacientes cirróticos, utilizando parâmetros laboratoriais e clínicos (ascite e encefalopatia).

Contexto Educacional

A cirrose hepática alcoólica é uma consequência do consumo crônico e excessivo de etanol, levando à fibrose e formação de nódulos de regeneração. O quadro clínico clássico inclui sinais de insuficiência hepatocelular (icterícia, ginecomastia, telangiectasias) e de hipertensão portal (ascite, circulação colateral). A avaliação prognóstica é vital para o manejo terapêutico e decisão sobre transplante. O escore de Child-Pugh permanece como o padrão-ouro para avaliar a reserva funcional hepática na prática clínica diária. No caso apresentado, o paciente apresenta sinais claros de descompensação (ascite, icterícia, hipoalbuminemia e alargamento do RNI), sugerindo uma classificação Child-Pugh B ou C, o que implica em alta morbimortalidade e necessidade de intervenção especializada imediata, incluindo a abstinência alcoólica rigorosa e o manejo das complicações da hipertensão portal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore de Child-Pugh?

O escore de Child-Pugh utiliza cinco critérios fundamentais para avaliar a gravidade da doença hepática crônica: Bilirrubina total, Albumina sérica, RNI (ou tempo de protrombina), presença e gravidade de Ascite, e grau de Encefalopatia hepática. Cada critério recebe uma pontuação de 1 a 3. A soma desses pontos determina a classe do paciente (A, B ou C), o que fornece uma estimativa da sobrevida em um e dois anos, além de auxiliar na estratificação do risco cirúrgico em procedimentos não-hepáticos.

Como é feita a classificação Child-Pugh A, B e C?

A classificação é dividida em três categorias baseadas na pontuação total: Classe A (5-6 pontos) indica doença bem compensada com sobrevida de 1 ano próxima a 100%; Classe B (7-9 pontos) indica comprometimento funcional significativo e sobrevida de 1 ano em torno de 80%; e Classe C (10-15 pontos) indica doença descompensada com pior prognóstico e sobrevida de 1 ano de aproximadamente 45%. Pacientes Child B e C frequentemente necessitam de avaliação para transplante hepático.

Qual a diferença entre Child-Pugh e MELD?

O Child-Pugh avalia a reserva funcional crônica e inclui critérios clínicos subjetivos (ascite e encefalopatia), sendo excelente para prognóstico geral. Já o MELD (Model for End-Stage Liver Disease) utiliza apenas critérios laboratoriais objetivos (Creatinina, Bilirrubina e RNI) e uma fórmula matemática. O MELD é o padrão atual para a alocação de órgãos em transplantes de fígado no Brasil e em diversos países, pois prediz com maior precisão a mortalidade em curto prazo (90 dias).

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