ENARE/ENAMED — Prova 2024
O médico de um paciente cirrótico está verificando a possibilidade de uma cirurgia hepática para esse paciente, porém, para isso, quer primeiro verificar qual seu escore Child-Pugh, já que este possui correlação com a sobrevida do paciente. Nesse sentido, o paciente apresenta os seguintes exames: bilirrubina de 2,5 mg/dL; albumina de 2,6 g/dL; tempo de protrombina de 2 segundos; nenhuma ascite ou encefalopatia. Diante desses resultados, qual é a classificação de Child-Pugh desse paciente e sua chance de sobrevida?
Child-Pugh: Bilirrubina, Albumina, TP/INR, Ascite, Encefalopatia. 7-9 pontos = Child B, sobrevida intermediária.
O escore Child-Pugh avalia a gravidade da disfunção hepática em pacientes cirróticos, utilizando cinco parâmetros clínicos e laboratoriais. É fundamental para estratificar o risco cirúrgico e prever a sobrevida, especialmente em cirurgias não hepáticas ou transplante.
O escore Child-Pugh é uma ferramenta de classificação amplamente utilizada na hepatologia para avaliar a gravidade da doença hepática crônica, principalmente a cirrose. Desenvolvido inicialmente para estratificar o risco de pacientes submetidos a cirurgia de shunt portossistêmico, hoje é fundamental para determinar o prognóstico, a necessidade de transplante hepático e o risco de morbimortalidade em procedimentos cirúrgicos. A fisiopatologia da cirrose leva à disfunção hepática, manifestada pelos parâmetros do Child-Pugh: a bilirrubina reflete a capacidade de conjugação e excreção, a albumina a síntese proteica hepática, o tempo de protrombina a síntese de fatores de coagulação, e a ascite e encefalopatia são complicações da hipertensão portal e da falha na detoxificação. Cada parâmetro recebe uma pontuação de 1 a 3, somando-se para classificar o paciente em Child A, B ou C. A classificação Child-Pugh é um preditor robusto de sobrevida e risco cirúrgico. Pacientes Child A têm o melhor prognóstico e menor risco cirúrgico, enquanto Child C apresentam o pior prognóstico e alto risco de descompensação e óbito pós-operatório. Para cirurgias eletivas, pacientes Child B e C frequentemente necessitam de otimização clínica ou são considerados para transplante, destacando a importância de uma avaliação cuidadosa antes de qualquer intervenção.
Os cinco parâmetros são: bilirrubina total, albumina sérica, tempo de protrombina (ou INR), grau de ascite e grau de encefalopatia hepática.
O escore Child-Pugh classifica a cirrose em classes A (5-6 pontos, melhor prognóstico), B (7-9 pontos, prognóstico intermediário) e C (10-15 pontos, pior prognóstico), correlacionando-se diretamente com a sobrevida em 1 e 2 anos e o risco cirúrgico.
O escore Child-Pugh é crucial para avaliar o risco de morbimortalidade em cirurgias, especialmente as hepáticas. Pacientes Child C geralmente são contraindicados para cirurgias eletivas devido ao alto risco de descompensação e óbito.
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