TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Paciente de 52 anos procura serviço médico para acompanhamento. Refere que há 6 meses apresenta quadros recorrentes de palpitação, sendo documentada fibrilação atrial paroxística. No momento, encontra-se assintomático em ritmo sinusal e não há evidência de doença cardíaca subjacente. Em relação à anticoagulação desse paciente, o serviço médico deve observar que:
Indicação de anticoagulação na FA = CHA2DS2-VASc (Homens ≥ 2, Mulheres ≥ 3).
A decisão de anticoagular na fibrilação atrial (FA) depende do risco embólico individual (CHA2DS2-VASc), independentemente de o padrão ser paroxístico, persistente ou permanente.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica e um fator de risco independente para o acidente vascular cerebral (AVC). A fisiopatologia envolve a estase sanguínea no apêndice atrial esquerdo, predispondo à formação de trombos. O manejo moderno foca na proteção contra o tromboembolismo e no controle de sintomas. O uso do escore CHA2DS2-VASc permite uma estratificação precisa, identificando pacientes que realmente se beneficiam da terapia anticoagulante crônica, equilibrando o risco de AVC com o risco de sangramento (muitas vezes avaliado pelo escore HAS-BLED).
Não. O risco de fenômenos tromboembólicos, como o AVC isquêmico, é similar entre os diferentes padrões de fibrilação atrial (paroxística, persistente ou permanente). Portanto, a decisão clínica de iniciar a anticoagulação deve ser baseada exclusivamente no perfil de risco clínico do paciente, quantificado pelo escore CHA2DS2-VASc, e não na carga de arritmia ou na frequência das crises.
Na fibrilação atrial não valvar, os Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs) como apixabana, rivaroxabana e dabigatrana são preferíveis à varfarina devido ao melhor perfil de segurança (menor risco de sangramento intracraniano) e conveniência (dispensa monitorização de RNI). A varfarina permanece como escolha obrigatória apenas em pacientes com próteses valvares mecânicas ou estenose mitral moderada a grave.
O escore atribui pontos para Insuficiência Cardíaca (1), Hipertensão (1), Idade ≥75 anos (2), Diabetes (1), AVC/AIT prévio (2), Doença Vascular (1), Idade 65-74 anos (1) e Sexo Feminino (1). Em homens, pontuação ≥ 2 indica anticoagulação (classe I); pontuação 1 deve ser considerada (classe IIa). Em mulheres, pontuação ≥ 3 indica anticoagulação; pontuação 2 deve ser considerada.
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