Fibrilação Atrial: Avaliação de Risco e Anticoagulação

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 70 anos, hipertensa, diabética e com relato de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (último ecocardiograma evidenciou fração de ejeção de 34%) procura ambulatório de cardiologia do Hospital Universitário Alcides Carneiro com queixa de palpitações. Ao exame físico foi evidenciado variabilidade da fonese da primeira bulha, além de ritmo irregular e déficit de pulso. Feito eletrocardiogramaEm relação ao caso, marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Caso a paciente apresente um escore HAS-BLED de 3 pontos, apresenta contra- indicação formal a anticoagulação.
  2. B) Os estudos mostraram benefícios robustos do controle da frequência cardíaca em relação ao controle do ritmo para essa arritmia.
  3. C) Caso se opte pelo controle de ritmo, o antiarrítmico de escolha para essa paciente é a propafenona.
  4. D) No exame físico dessa paciente um achado provável seria a presença de quarta bulha.
  5. E) A pontuação do escore CHA2DS2Vasc dessa paciente é de 5 pontos.

Pérola Clínica

FA + ICFER + >65a + HAS + DM = alto risco tromboembólico, calcular CHA2DS2-VASc.

Resumo-Chave

A fibrilação atrial em pacientes com múltiplas comorbidades como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida confere um risco tromboembólico elevado. A avaliação do risco é fundamental para a decisão de anticoagulação, sendo o escore CHA2DS2-VASc a ferramenta padrão para essa estratificação.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente com a idade e a presença de comorbidades como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca. Sua importância clínica reside principalmente no risco aumentado de eventos tromboembólicos, como o acidente vascular cerebral (AVC), e na potencial deterioração da função ventricular em casos de taquicardiomiopatia. O reconhecimento precoce e a estratificação de risco são cruciais para o manejo adequado e prevenção de complicações graves. O diagnóstico da FA é confirmado pelo eletrocardiograma, que revela ausência de ondas P organizadas e intervalos RR irregulares. A estratificação do risco tromboembólico é realizada pelo escore CHA2DS2-VASc, que considera fatores como insuficiência cardíaca, hipertensão, idade, diabetes, AVC/AIT prévio, doença vascular e sexo feminino. Para a paciente do caso (70 anos, sexo feminino, hipertensa, diabética, ICFER), o escore seria: IC (1), HAS (1), Idade 65-74 (1), DM (1), Sexo Feminino (1) = 5 pontos, indicando alto risco e necessidade de anticoagulação. O escore HAS-BLED, por sua vez, avalia o risco de sangramento e não é uma contraindicação formal à anticoagulação, mas sim um guia para manejo cauteloso. O tratamento da FA envolve o controle da frequência cardíaca ou do ritmo, além da anticoagulação. Em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), o controle da frequência é geralmente preferido inicialmente, com betabloqueadores ou digoxina. Se o controle de ritmo for optado, a amiodarona é frequentemente a escolha para pacientes com ICFER, pois a propafenona e a flecainida são contraindicadas. A anticoagulação oral é a pedra angular na prevenção de AVC em pacientes com FA e CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres), sendo os anticoagulantes orais diretos (DOACs) a primeira escolha na maioria dos casos, exceto em valvopatia mitral reumática ou prótese valvar mecânica, onde a varfarina é indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da fibrilação atrial?

Os principais achados incluem ritmo cardíaco irregular, variabilidade da fonese da primeira bulha (B1) e déficit de pulso, que é a diferença entre a frequência cardíaca auscultada e a palpada.

Como calcular o escore CHA2DS2-VASc para estratificação de risco?

O escore CHA2DS2-VASc atribui pontos para Insuficiência Cardíaca (1), Hipertensão (1), Idade ≥75 anos (2), Diabetes Mellitus (1), AVC/AIT/Tromboembolismo prévio (2), Doença Vascular (1), Idade 65-74 anos (1) e Sexo Feminino (1). A soma dos pontos indica o risco de eventos tromboembólicos.

Quando o controle de ritmo é preferível ao controle de frequência na fibrilação atrial?

O controle de ritmo é geralmente considerado em pacientes sintomáticos apesar do controle de frequência, naqueles com insuficiência cardíaca induzida por taquicardia, ou em pacientes mais jovens. Em pacientes com ICFER, o controle de ritmo pode ser benéfico, mas os estudos não mostraram superioridade robusta em desfechos duros em relação ao controle de frequência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo