AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Sintomas respiratórios estão entre as queixas mais comuns na Atenção Primária à Saúde, sobre este assunto, assinale a alternativa correta:
Escore de Centor modificado (McIsaac) → diferencia faringite viral de estreptocócica.
O Escore de Centor modificado utiliza idade e critérios clínicos (febre, exsudato, adenopatia, ausência de tosse) para estratificar o risco de infecção pelo Estreptococo do Grupo A.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a diferenciação entre infecções respiratórias virais e bacterianas é um desafio cotidiano. O uso de ferramentas de decisão clínica, como o Escore de Centor modificado, é essencial para promover o uso racional de antibióticos, reduzindo a resistência bacteriana e custos desnecessários. Além disso, o reconhecimento de causas não infecciosas de sintomas respiratórios, como a tosse induzida por fármacos (IECA) ou a tosse subaguda pós-infecciosa, evita diagnósticos errôneos de complicações bacterianas. A abordagem baseada em evidências prioriza o manejo sintomático e a vigilância expectante em casos de baixa probabilidade de complicações, fortalecendo a segurança do paciente e a eficácia do tratamento.
O Escore de Centor modificado, também conhecido como critérios de McIsaac, avalia cinco parâmetros principais: febre referida ou medida acima de 38°C, ausência de tosse, adenopatia cervical anterior dolorosa, exsudato ou edema nas tonsilas e a idade do paciente. Pacientes entre 3 e 14 anos ganham um ponto extra, enquanto aqueles com 45 anos ou mais perdem um ponto. A pontuação total ajuda a determinar a probabilidade de infecção pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A), orientando se é necessário realizar teste rápido, cultura ou iniciar antibioticoterapia empírica imediata, otimizando o uso de recursos e evitando prescrições desnecessárias de antibióticos em quadros virais.
A tosse seca é um efeito colateral comum dos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), ocorrendo em 5% a 20% dos pacientes devido ao acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas. Se o sintoma causar desconforto significativo ou impactar a qualidade de vida, a conduta recomendada é a descontinuação do medicamento e a substituição por um Bloqueador do Receptor de Angiotensina II (BRA), que não interfere no metabolismo da bradicinina. A tosse geralmente desaparece em 1 a 4 semanas após a suspensão, mas pode levar até 3 meses em alguns casos. Manter a medicação apesar do desconforto não é a prática recomendada na APS.
A lavagem nasal com solução salina (isotônica ou hipertônica) é uma intervenção fundamental e baseada em evidências para o tratamento das rinossinusites agudas e crônicas. Ela auxilia na limpeza mecânica do muco, redução de mediadores inflamatórios, melhora do clearance mucociliar e alívio da congestão nasal. Diferente do que sugere o senso comum, a lavagem nasal traz benefício sintomático real e pode reduzir a necessidade de medicamentos adjuvantes. O tratamento medicamentoso, especialmente com antibióticos, não é imperativo em todos os casos, sendo reservado para quadros com forte suspeita de etiologia bacteriana (sintomas persistentes >10 dias, febre alta ou 'double sickening').
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