Escore de Centor: Diagnóstico de Faringite na APS

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Sintomas respiratórios estão entre as queixas mais comuns na Atenção Primária à Saúde, sobre este assunto, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Mesmo nos casos em que há alta probabilidade de faringite estreptocócica, o uso de antibióticos não está recomendado por não trazer benefício, sendo que os quadros são auto-limitados.
  2. B) Dentre os tratamentos de rinossinusites, o uso de solução salina isotônica para lavagem nasal não traz nenhum benefício em relação ao alívio sintomático, sendo o tratamento medicamentoso imperativo em todos os casos.
  3. C) O Escore de Centor modificado pode auxiliar na diferenciação entre faringite viral e estreptocócica, utilizando critérios como idade, ausência de tosse, exsudato em tonsilas, histórico recente de febre > 38ºC e adenopatia cervical dolorosa.
  4. D) A tosse subaguda pós infecciosa é caracterizada por ausência de alterações ao exame físico, ausência de sintomas sistêmicos e tem um padrão de tosse seca ou pouco produtiva. É considerada como complicação e deve ser tratada com antibióticos.
  5. E) Medicamentos da classe do Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o enalapril, podem ser causa de tosse. Devido à sua importância no manejo da hipertensão, não devem ser descontinuados ou substituídos, mesmo se o sintoma de tosse trouxer desconforto à pessoa que está utilizando.

Pérola Clínica

Escore de Centor modificado (McIsaac) → diferencia faringite viral de estreptocócica.

Resumo-Chave

O Escore de Centor modificado utiliza idade e critérios clínicos (febre, exsudato, adenopatia, ausência de tosse) para estratificar o risco de infecção pelo Estreptococo do Grupo A.

Contexto Educacional

Na Atenção Primária à Saúde (APS), a diferenciação entre infecções respiratórias virais e bacterianas é um desafio cotidiano. O uso de ferramentas de decisão clínica, como o Escore de Centor modificado, é essencial para promover o uso racional de antibióticos, reduzindo a resistência bacteriana e custos desnecessários. Além disso, o reconhecimento de causas não infecciosas de sintomas respiratórios, como a tosse induzida por fármacos (IECA) ou a tosse subaguda pós-infecciosa, evita diagnósticos errôneos de complicações bacterianas. A abordagem baseada em evidências prioriza o manejo sintomático e a vigilância expectante em casos de baixa probabilidade de complicações, fortalecendo a segurança do paciente e a eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do Escore de Centor modificado?

O Escore de Centor modificado, também conhecido como critérios de McIsaac, avalia cinco parâmetros principais: febre referida ou medida acima de 38°C, ausência de tosse, adenopatia cervical anterior dolorosa, exsudato ou edema nas tonsilas e a idade do paciente. Pacientes entre 3 e 14 anos ganham um ponto extra, enquanto aqueles com 45 anos ou mais perdem um ponto. A pontuação total ajuda a determinar a probabilidade de infecção pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A), orientando se é necessário realizar teste rápido, cultura ou iniciar antibioticoterapia empírica imediata, otimizando o uso de recursos e evitando prescrições desnecessárias de antibióticos em quadros virais.

Como manejar a tosse seca causada por inibidores da ECA?

A tosse seca é um efeito colateral comum dos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), ocorrendo em 5% a 20% dos pacientes devido ao acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas. Se o sintoma causar desconforto significativo ou impactar a qualidade de vida, a conduta recomendada é a descontinuação do medicamento e a substituição por um Bloqueador do Receptor de Angiotensina II (BRA), que não interfere no metabolismo da bradicinina. A tosse geralmente desaparece em 1 a 4 semanas após a suspensão, mas pode levar até 3 meses em alguns casos. Manter a medicação apesar do desconforto não é a prática recomendada na APS.

Qual o papel da lavagem nasal na rinossinusite aguda?

A lavagem nasal com solução salina (isotônica ou hipertônica) é uma intervenção fundamental e baseada em evidências para o tratamento das rinossinusites agudas e crônicas. Ela auxilia na limpeza mecânica do muco, redução de mediadores inflamatórios, melhora do clearance mucociliar e alívio da congestão nasal. Diferente do que sugere o senso comum, a lavagem nasal traz benefício sintomático real e pode reduzir a necessidade de medicamentos adjuvantes. O tratamento medicamentoso, especialmente com antibióticos, não é imperativo em todos os casos, sendo reservado para quadros com forte suspeita de etiologia bacteriana (sintomas persistentes >10 dias, febre alta ou 'double sickening').

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