Escore de Caprini: Profilaxia de TEV em Cirurgia Geral

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um paciente chamado Sr. Ronaldo, de 67 anos, está internado para a realização de uma gastrectomia total devido a um adenocarcinoma gástrico. Durante a avaliação pré-operatória, a equipe cirúrgica realizou a estratificação de risco para tromboembolismo venoso (TEV) utilizando o Escore de Caprini. Os dados coletados estão resumidos na tabela abaixo: | Fator de Risco Identificado | Pontuação Atribuída (Caprini) | | :--- | :---: | | Idade entre 60 e 74 anos | 2 | | Cirurgia de grande porte (> 45 minutos) | 2 | | Neoplasia Maligna (atual ou pregressa) | 2 | | **Pontuação Total Estimada** | **6** | Considerando a classificação de risco e as recomendações atuais para profilaxia perioperatória, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A profilaxia farmacológica só deve ser iniciada após 72 horas do procedimento cirúrgico, para evitar a formação de hematomas na ferida operatória.
  2. B) O escore obtido classifica o paciente como risco moderado, indicando que apenas a deambulação precoce e meias elásticas são suficientes.
  3. C) O paciente apresenta alto risco para TEV, sendo mandatória a profilaxia farmacológica com Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) ou Heparina Não Fracionada (HNF).
  4. D) Por tratar-se de uma cirurgia oncológica com risco de sangramento, a profilaxia farmacológica deve ser substituída apenas por métodos mecânicos isolados.

Pérola Clínica

Caprini ≥ 5 = Alto Risco de TEV → Profilaxia farmacológica (HBPM ou HNF) é mandatória.

Resumo-Chave

O Escore de Caprini estratifica o risco de tromboembolismo venoso em pacientes cirúrgicos; pontuações elevadas (≥ 5) exigem intervenção farmacológica para reduzir a morbimortalidade perioperatória.

Contexto Educacional

A profilaxia do tromboembolismo venoso (TEV) é um pilar fundamental da segurança do paciente cirúrgico. O Escore de Caprini permite uma abordagem personalizada, superando classificações genéricas. Pacientes com câncer gástrico, como o Sr. Ronaldo, apresentam um estado de hipercoagulabilidade intrínseco à neoplasia, que somado ao trauma cirúrgico e à idade avançada, eleva drasticamente o risco de complicações vasculares. A escolha entre HBPM e HNF depende da função renal do paciente e da logística hospitalar, sendo a HBPM geralmente preferida pela facilidade de administração (dose única diária) e menor incidência de trombocitopenia induzida pela heparina (HIT). A falha em implementar a profilaxia adequada é uma das principais causas de morte evitável em hospitais terciários.

Perguntas Frequentes

Como funciona a pontuação do Escore de Caprini?

O Escore de Caprini é uma ferramenta de avaliação de risco cumulativa que atribui pontos a diversos fatores de risco individuais do paciente e do procedimento cirúrgico. Fatores como idade (60-74 anos somam 2 pontos), tipo de cirurgia (grande porte > 45 min soma 2 pontos) e presença de neoplasia maligna (2 pontos) são somados. Outros fatores incluem histórico de TVP/TEP, obesidade, imobilização e estados de hipercoagulabilidade. A pontuação total classifica o paciente em risco baixo (0-1), moderado (2), alto (3-4) ou muito alto (≥ 5). No caso de pacientes com câncer submetidos a cirurgias abdominais ou pélvicas, o risco é quase invariavelmente alto ou muito alto, exigindo medidas agressivas.

Qual a conduta para pacientes com Caprini ≥ 5?

Pacientes com pontuação de Caprini igual ou superior a 5 são classificados como de 'muito alto risco' para eventos tromboembólicos. Para este grupo, as diretrizes recomendam fortemente a profilaxia farmacológica com Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM), como a enoxaparina, ou Heparina Não Fracionada (HNF) em doses baixas. Além da farmacologia, recomenda-se a associação de métodos mecânicos, como meias de compressão elástica ou compressão pneumática intermitente. Em cirurgias oncológicas abdominais de grande porte, a profilaxia estendida por até 4 semanas após a alta hospitalar pode ser indicada devido ao risco persistente de TEV no período pós-operatório tardio.

Quando a profilaxia mecânica deve substituir a farmacológica?

A profilaxia mecânica (meias elásticas e compressão pneumática) deve ser utilizada isoladamente apenas em pacientes com alto risco de sangramento ou naqueles com contraindicações absolutas ao uso de anticoagulantes (ex: sangramento ativo, plaquetopenia severa ou coagulopatia grave). Assim que o risco de sangramento diminuir, a profilaxia farmacológica deve ser iniciada ou retomada. É importante notar que, para pacientes de alto risco (Caprini ≥ 5), a profilaxia mecânica isolada é considerada inferior e insuficiente para a prevenção adequada de TVP e embolia pulmonar, devendo ser sempre um complemento à heparina quando possível.

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