Escore de Alvarado: Interpretação na Apendicite Aguda

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 28 anos de idade, previamente hígido, procurou a unidade de pronto atendimento com queixa de dor abdominal há três dias, localizada inicialmente na região periumbilical, que posteriormente se intensificou e migrou para a fossa ilíaca direita. Associado ao quadro, relata febre (38,5 °C), náuseas e um episódio de vômito. Refere diminuição do apetite e constipação nos últimos dois dias. Nega sintomas urinários ou outros desconfortos abdominais prévios. Informou que a mãe tem história de câncer colorretal aos 56 anos de idade. Ao exame físico, os sinais vitais na admissão são PA = 120 mmHg X 70 mmHg, FC = 104 bpm, FR = 20 irpm, temperatura 38,2 ºC e SatO2 = 97%. Abdome levemente distendido, com dor à descompressão brusca em fossa ilíaca direita e defesa muscular localizada. Exames laboratoriais evidenciaram leucocitose = 15.200/mm³ sem desvio, PCR = 15 mg/dL, função renal e eletrólitos normais. Realizou tomografia computadorizada de abdome com contraste que evidenciou apêndice dilatado e cístico com 4,0 cm de diâmetro, calcificações e espessamento irregular na parede.Assinale a alternativa que melhor representa a pontuação e a interpretação do escore de Alvarado para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Quatro pontos. Baixa probabilidade de apendicite aguda. Investigar diagnósticos diferenciais.
  2. B) Seis pontos. Moderada probabilidade de apendicite aguda. Observar e realizar mais exames complementares.
  3. C) Nove pontos. Alta probabilidade de apendicite aguda. Indicação de abordagem cirúrgica.
  4. D) Dez pontos. Alta probabilidade de apendicite aguda. Indicação de drenagem guiada e antibioticoterapia, seguida de colonoscopia em quarto a seis semanas.

Pérola Clínica

Alvarado ≥ 7 → Alta probabilidade de apendicite (MANTRELS: Migration, Anorexia, Nausea, Tenderness, Rebound, Elevated T, Leukocytosis, Shift).

Resumo-Chave

O Escore de Alvarado utiliza critérios clínicos e laboratoriais simples para estratificar o risco de apendicite, auxiliando na decisão entre observação, imagem ou cirurgia.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico. O Escore de Alvarado, embora desenvolvido na era pré-tomografia, permanece uma ferramenta de beira de leito valiosa para a prática clínica. No caso apresentado, o paciente pontua em quase todos os critérios (Migração, Anorexia, Náusea/Vômito, Dor na FID, Descompressão, Febre e Leucocitose), totalizando 9 pontos. Um escore ≥ 7 em adultos jovens tem alta sensibilidade e especificidade, justificando a intervenção cirúrgica, especialmente quando corroborado por achados tomográficos de apêndice dilatado e espessado.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes do mnemônico MANTRELS?

M: Migration of pain (1), A: Anorexia (1), N: Nausea/Vomiting (1), T: Tenderness in RLQ (2), R: Rebound tenderness (1), E: Elevated temperature (1), L: Leukocytosis (2), S: Shift to the left (1). Total de 10 pontos.

Como interpretar a pontuação do Escore de Alvarado?

Pontuação 1-4: Baixa probabilidade (investigar outras causas); 5-6: Probabilidade moderada (observação ou imagem); 7-8: Alta probabilidade; 9-10: Probabilidade muito alta (frequentemente indicação cirúrgica direta).

O Escore de Alvarado substitui a Tomografia Computadorizada?

Não substitui, mas serve como triagem. Em casos com escore intermediário (5-6), a TC é fundamental para confirmar o diagnóstico e evitar laparotomias brancas, enquanto escores muito altos em homens jovens podem permitir conduta cirúrgica direta.

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