SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Homem, 22 anos, queixa-se de dor abdominal há 3 dias. Relata que inicialmente a dor era periumbilical e que há 2 dias localizou em fossa ilíaca direita. Refere não ter fome e ter apresentado pico febril de 38°C. Ao exame físico, apresenta dor à descompressão brusca da fossa ilíaca direita. Nos exames complementares laboratoriais, apresenta leucocitose e desvio à direita. De acordo com os critérios de alvarado, a pontuação desse paciente será:
Alvarado ≥ 7 → Alta probabilidade de apendicite; RLQ tenderness e Leucocitose valem 2 pontos cada.
O Escore de Alvarado é uma ferramenta de triagem clínica que utiliza sintomas, sinais e exames laboratoriais para estratificar o risco de apendicite aguda, orientando a decisão entre observação, imagem ou cirurgia.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas ferramentas como o Escore de Alvarado ajudam a reduzir a taxa de apendicectomias negativas e a evitar atrasos diagnósticos que levam à perfuração. No caso clínico apresentado, o paciente pontua: Migração da dor (1), Anorexia (1), Febre (1), Descompressão brusca/Rebound (1), Leucocitose (2) e Desvio (1), totalizando 7 pontos. É importante notar que, embora o enunciado mencione 'desvio à direita', na prática clínica e nos critérios originais de Alvarado, refere-se ao desvio à esquerda (aumento de formas jovens de neutrófilos). A pontuação 7 coloca o paciente no grupo de alta probabilidade, onde a conduta cirúrgica ou investigação armada imediata é mandatória.
O Escore de Alvarado, também conhecido pela mnemônica MANTRELS, é um sistema de pontuação clínica utilizado para auxiliar no diagnóstico de apendicite aguda. Ele combina três sintomas (migração da dor, anorexia, náusea/vômito), três sinais clínicos (dor na fossa ilíaca direita, descompressão dolorosa, febre) e dois achados laboratoriais (leucocitose e desvio à esquerda dos neutrófilos). A pontuação máxima é 10. Pacientes com pontuação entre 1-4 têm baixa probabilidade, 5-6 são considerados casos possíveis (indicando observação ou imagem), e 7-10 indicam alta probabilidade de apendicite, frequentemente justificando a intervenção cirúrgica direta em adultos jovens do sexo masculino.
No sistema de pontuação de Alvarado, a maioria dos critérios vale apenas 1 ponto. No entanto, dois critérios são considerados mais específicos e, por isso, recebem 2 pontos cada: a dor (hipersensibilidade) na fossa ilíaca direita e a presença de leucocitose (geralmente definida como contagem de glóbulos brancos > 10.000/mm³). A identificação correta desses 'pesos' é fundamental para não subestimar a gravidade do quadro clínico durante a avaliação na emergência, pois a soma correta define a conduta terapêutica imediata.
A interpretação do Escore de Alvarado divide os pacientes em categorias de risco. Uma pontuação de 0 a 4 torna o diagnóstico de apendicite improvável, sugerindo a investigação de outros diagnósticos diferenciais. Uma pontuação de 5 ou 6 é considerada 'duvidosa' ou de risco intermediário, recomendando-se a realização de exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, ou observação clínica seriada. Já uma pontuação de 7 ou 8 indica uma probabilidade provável, e 9 ou 10 indicam apendicite quase certa, sendo estes pacientes candidatos à apendicectomia.
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