Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma paciente de doze anos de idade foi à consulta médica, acompanhada da mãe, referindo coluna “torta” há um ano. A paciente não teve menarca, nega dores e, ao exame, apresenta teste de Adams positivo e assimetria do triângulo do talhe. Radiografias de coluna e bacia evidenciam escoliose idiopática torácica direita, com curvatura com ângulo de Cobb de 32 graus. O sinal de Risser da paciente é 1. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a melhor conduta para a paciente será
Escoliose idiopática adolescente (Cobb 25-40°, Risser 0-2, pré-menarca) → tratamento com colete para evitar progressão.
Em escoliose idiopática do adolescente, a decisão de tratamento depende do ângulo de Cobb e do potencial de crescimento (avaliado pelo sinal de Risser e menarca). Curvas entre 25-40 graus em pacientes com crescimento residual (Risser 0-2, pré-menarca) têm indicação de uso de colete para prevenir a progressão.
A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, caracterizada por uma curvatura lateral e rotação vertebral, que afeta principalmente adolescentes durante o estirão de crescimento. É a forma mais comum de escoliose, com prevalência de 2-4% na população geral. O diagnóstico precoce e a avaliação do potencial de crescimento são cruciais para definir a conduta e prevenir a progressão da curva. O diagnóstico é feito através do exame físico (teste de Adams, assimetria do triângulo do talhe) e confirmado por radiografias da coluna total, onde o ângulo de Cobb é medido. A avaliação da maturidade esquelética, como o sinal de Risser (graus 0 a 5) e a presença de menarca em meninas, é fundamental para estimar o risco de progressão. Curvas menores que 25 graus geralmente são observadas, enquanto curvas maiores que 45-50 graus são candidatas à cirurgia. No caso apresentado, a paciente tem 12 anos, é pré-menarca, Risser 1 e ângulo de Cobb de 32 graus. Esses dados indicam um alto potencial de progressão da curva. Portanto, a conduta mais adequada é o uso de colete ortopédico, que tem como objetivo interromper ou diminuir a progressão da curva durante o período de crescimento, evitando que atinja graus que exijam intervenção cirúrgica. O colete deve ser usado por um número significativo de horas diárias até a maturidade esquelética.
O diagnóstico é clínico, com teste de Adams positivo e assimetria do tronco, e radiográfico, com um ângulo de Cobb maior que 10 graus. A ausência de uma causa secundária é essencial para classificá-la como idiopática.
O sinal de Risser e a menarca são indicadores do potencial de crescimento esquelético residual. Pacientes com Risser baixo (0-2) e pré-menarca têm maior risco de progressão da curva, necessitando de intervenções como o colete para controlar a deformidade.
A cirurgia é geralmente indicada para curvas que progridem apesar do uso do colete ou para curvas maiores que 40-45 graus no final do crescimento, especialmente se associadas a desequilíbrio do tronco ou dor intratável.
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