Geriatria: Alvos Glicêmicos e Escolhas Sensatas em Idosos

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024

Enunciado

De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, os seguintes itens são recomendações para escolhas sensatas no atendimento à saúde do idoso, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Evitar o uso de contenção mecânica no tratamento dos quadros de delirium hiperativo, visto que ela pode aumentar o risco de lesões associadas à agitação, bem como pode ser considerada um potencial fator desencadeante do delirium em si.
  2. B) A prescrição de rastreio, tratamento, ou intervenção invasiva deve considerar o estado funcional do paciente, sua expectativa de vida e o compartilhamento da decisão com o paciente ou, em caso de impossibilidade deste, de seu representante legal.
  3. C) Não utilizar benzodiazepínicos ou anti-histamínicos para tratar insônia em idosos, pois aumentam o risco de queda e fraturas de quadril, bem como podem promover o agravo de sintomas depressivos e de comprometimento cognitivo.
  4. D) Em idosos diabéticos com declínio funcional e/ou cognitivo ou em extremos etários, recomenda-se manter a prescrição de medicamentos com intuito de atingir alvos de hemoglobina glicada< 7,5% para minimizar lesões de órgãos-alvo e melhorar a sobrevida.
  5. E) Evitar a prescrição de inibidores de bomba de prótons de maneira crônica, visto que podem estar diretamente relacionados a desfechos indesejáveis

Pérola Clínica

Idoso frágil/cognitivo ↓ HbA1c < 7,5% = risco de hipoglicemia; alvos mais flexíveis são preferíveis.

Resumo-Chave

Em idosos frágeis, com declínio funcional ou cognitivo, ou em extremos etários, a busca por alvos rigorosos de hemoglobina glicada (< 7,5%) para diabetes pode ser prejudicial. O objetivo principal deve ser evitar hipoglicemia e melhorar a qualidade de vida, priorizando alvos mais flexíveis (ex: 8,0-8,5%) para minimizar riscos e polifarmácia.

Contexto Educacional

As "Escolhas Sensatas" em geriatria, promovidas pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), são um conjunto de recomendações baseadas em evidências para evitar práticas desnecessárias ou potencialmente prejudiciais no cuidado ao idoso. O objetivo é otimizar a qualidade de vida, reduzir a polifarmácia e prevenir iatrogenias, considerando a complexidade e a heterogeneidade da população idosa. Um ponto crucial é a individualização dos alvos terapêuticos, especialmente no diabetes mellitus. Em idosos frágeis, com múltiplas comorbidades, declínio funcional ou cognitivo, a busca por alvos rigorosos de hemoglobina glicada (como < 7,5%) pode levar a um risco aumentado de hipoglicemia, que por sua vez eleva o risco de quedas, hospitalizações e mortalidade. Nesses casos, alvos mais flexíveis (ex: HbA1c entre 8,0% e 8,5%) são mais apropriados, priorizando a segurança e o bem-estar do paciente. Outras recomendações importantes incluem evitar o uso crônico de inibidores de bomba de prótons sem indicação clara, não utilizar benzodiazepínicos ou anti-histamínicos para insônia devido ao risco de quedas e delirium, e evitar a contenção mecânica em quadros de delirium hiperativo. A tomada de decisão deve ser sempre compartilhada com o paciente ou seu representante legal, considerando o estado funcional e a expectativa de vida.

Perguntas Frequentes

Por que os alvos de hemoglobina glicada são diferentes para idosos diabéticos?

Para idosos diabéticos, especialmente aqueles com fragilidade, declínio cognitivo ou múltiplas comorbidades, os alvos de hemoglobina glicada são mais flexíveis (ex: 8,0-8,5%). Isso visa evitar hipoglicemia, que pode causar quedas e piorar a qualidade de vida, e reduzir a polifarmácia.

Quais são os riscos do uso de benzodiazepínicos e anti-histamínicos em idosos?

Benzodiazepínicos e anti-histamínicos devem ser evitados em idosos para tratar insônia, pois aumentam significativamente o risco de quedas, fraturas de quadril, delirium, e podem agravar sintomas depressivos e comprometimento cognitivo.

Qual a recomendação para o uso de contenção mecânica em casos de delirium hiperativo em idosos?

A contenção mecânica deve ser evitada no tratamento do delirium hiperativo em idosos, pois pode aumentar o risco de lesões associadas à agitação e ser um fator desencadeante do próprio delirium. Estratégias não farmacológicas e manejo ambiental são preferíveis.

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