Anafilaxia Pediátrica: Manejo Urgente com Epinefrina

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Um escolar de sete anos de idade foi almoçar com sua família em um restaurante de frutos do mar. Após a saída do restaurante, o paciente começou a queixar-se de dor abdominal de forte intensidade e apresentou três episódios de vômito em dez minutos, sendo levado ao serviço de emergência. Na admissão, apresentou novo episódio de vômito e um episódio de diarreia, mantendo queixa de cólica. Ao exame: regular estado geral; eritema em tronco e membros; e sibilos esparsos. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o medicamento que o paciente deverá receber, o mais precocemente possível.

Alternativas

  1. A) salbutamol
  2. B) prednisona
  3. C) metilprednisolona
  4. D) manitol
  5. E) epinefrina

Pérola Clínica

Anafilaxia (alérgeno + 2 sistemas envolvidos) → Epinefrina IM é a primeira e mais importante conduta.

Resumo-Chave

O quadro clínico do paciente (exposição a alérgeno, sintomas gastrointestinais, cutâneos e respiratórios) é altamente sugestivo de anafilaxia. A epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais crucial, devendo ser administrada o mais precocemente possível para reverter a progressão da reação.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que requer reconhecimento e tratamento imediatos. Em crianças, as causas mais comuns incluem alimentos (como frutos do mar, leite, ovos, amendoim), picadas de insetos e medicamentos. O caso clínico apresentado, com exposição a frutos do mar, dor abdominal, vômitos, diarreia, eritema cutâneo e sibilos, é altamente sugestivo de anafilaxia, envolvendo múltiplos sistemas orgânicos. A fisiopatologia da anafilaxia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, etc.) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, broncoespasmo e espasmos gastrointestinais. A conduta mais crítica e salvadora de vidas é a administração de epinefrina (adrenalina) por via intramuscular. A epinefrina deve ser administrada na face anterolateral da coxa assim que a anafilaxia for suspeitada, sem atrasos. Outras medidas, como oxigênio, fluidos intravenosos, anti-histamínicos e corticoides, são importantes adjuvantes, mas não substituem a epinefrina. O residente deve estar apto a identificar rapidamente a anafilaxia e iniciar o tratamento adequado para prevenir a progressão para choque e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia?

A anafilaxia é diagnosticada quando há envolvimento de dois ou mais sistemas orgânicos após exposição a um alérgeno conhecido ou provável, ou quando há hipotensão ou broncoespasmo grave isolado após exposição.

Qual a dose e via de administração da epinefrina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de epinefrina é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

Por que a epinefrina é o tratamento de primeira linha na anafilaxia?

A epinefrina atua como um agonista alfa e beta-adrenérgico, causando vasoconstrição (aumenta a pressão arterial), broncodilatação (melhora a respiração) e diminuição da liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os efeitos sistêmicos da anafilaxia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo