Ectima e Impetigo: Quando usar Antibiótico Sistêmico?

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um escolar de 8 anos de idade, com diagnóstico prévio de dermatite atópica, é levado à consulta devido ao surgimento de lesões cutâneas há 5 dias. Ao exame físico, observa-se a presença de múltiplas crostas melicéricas sobre base eritematosa em face (regiões perioral e perinasal), além de áreas de liquenificação em dobras antecubitais com sinais claros de infecção secundária. Nota-se também, em membros inferiores, a presença de três lesões ulceradas, profundas, com bordas eritematosas e crostas aderentes espessas, compatíveis com ectima. O paciente não apresenta febre, mas refere dor local e prurido intenso. Diante do quadro clínico descrito, a conduta terapêutica mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia sistêmica com cefalexina por via oral.
  2. B) Prescrever amoxicilina isolada por via oral por 10 dias.
  3. C) Administrar penicilina benzatina em dose única intramuscular.
  4. D) Prescrever mupirocina tópica, aplicada três vezes ao dia, por 7 dias.

Pérola Clínica

Lesões ulceradas profundas (ectima) ou múltiplas áreas afetadas → Antibioticoterapia sistêmica (Cefalexina).

Resumo-Chave

O ectima é uma forma profunda de impetigo que atinge a derme. Devido à profundidade e extensão das lesões, o tratamento deve ser sistêmico.

Contexto Educacional

As piodermites são infecções bacterianas comuns na infância, causadas principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. O ectima representa uma progressão da infecção para tecidos mais profundos, muitas vezes favorecida por má higiene ou doenças cutâneas prévias. A escolha do antibiótico deve cobrir ambos os agentes, sendo as cefalosporinas de primeira geração (cefalexina) a escolha preferencial por via oral. O tratamento sistêmico é mandatório em casos de ectima, lesões múltiplas, envolvimento de áreas extensas ou em pacientes imunossuprimidos/atópicos.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença clínica entre impetigo e ectima?

O impetigo é uma infecção superficial da epiderme, caracterizada por crostas melicéricas (cor de mel). Já o ectima é uma infecção mais profunda que atravessa a epiderme e atinge a derme, resultando em úlceras 'em saca-bocado' com crostas aderentes e bordas eritematosas, geralmente deixando cicatrizes após a cura.

Por que usar cefalexina em vez de mupirocina neste caso?

A mupirocina tópica é indicada apenas para impetigo localizado e superficial. No caso descrito, a presença de ectima (lesões profundas) e a disseminação das lesões (face e membros) em um paciente com dermatite atópica (barreira cutânea comprometida) exigem cobertura sistêmica para erradicar os patógenos (S. aureus ou S. pyogenes) e prevenir complicações.

Qual o papel da dermatite atópica nas infecções cutâneas?

Pacientes com dermatite atópica possuem uma barreira cutânea disfuncional e deficiência de peptídeos antimicrobianos naturais. Isso facilita a colonização e infecção secundária por Staphylococcus aureus, quadro conhecido como impetiginização, que frequentemente requer tratamento sistêmico devido à extensão e recorrência.

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