MedEvo Simulado — Prova 2026
Um escolar de 8 anos de idade, com diagnóstico prévio de dermatite atópica, é levado à consulta devido ao surgimento de lesões cutâneas há 5 dias. Ao exame físico, observa-se a presença de múltiplas crostas melicéricas sobre base eritematosa em face (regiões perioral e perinasal), além de áreas de liquenificação em dobras antecubitais com sinais claros de infecção secundária. Nota-se também, em membros inferiores, a presença de três lesões ulceradas, profundas, com bordas eritematosas e crostas aderentes espessas, compatíveis com ectima. O paciente não apresenta febre, mas refere dor local e prurido intenso. Diante do quadro clínico descrito, a conduta terapêutica mais adequada é:
Lesões ulceradas profundas (ectima) ou múltiplas áreas afetadas → Antibioticoterapia sistêmica (Cefalexina).
O ectima é uma forma profunda de impetigo que atinge a derme. Devido à profundidade e extensão das lesões, o tratamento deve ser sistêmico.
As piodermites são infecções bacterianas comuns na infância, causadas principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. O ectima representa uma progressão da infecção para tecidos mais profundos, muitas vezes favorecida por má higiene ou doenças cutâneas prévias. A escolha do antibiótico deve cobrir ambos os agentes, sendo as cefalosporinas de primeira geração (cefalexina) a escolha preferencial por via oral. O tratamento sistêmico é mandatório em casos de ectima, lesões múltiplas, envolvimento de áreas extensas ou em pacientes imunossuprimidos/atópicos.
O impetigo é uma infecção superficial da epiderme, caracterizada por crostas melicéricas (cor de mel). Já o ectima é uma infecção mais profunda que atravessa a epiderme e atinge a derme, resultando em úlceras 'em saca-bocado' com crostas aderentes e bordas eritematosas, geralmente deixando cicatrizes após a cura.
A mupirocina tópica é indicada apenas para impetigo localizado e superficial. No caso descrito, a presença de ectima (lesões profundas) e a disseminação das lesões (face e membros) em um paciente com dermatite atópica (barreira cutânea comprometida) exigem cobertura sistêmica para erradicar os patógenos (S. aureus ou S. pyogenes) e prevenir complicações.
Pacientes com dermatite atópica possuem uma barreira cutânea disfuncional e deficiência de peptídeos antimicrobianos naturais. Isso facilita a colonização e infecção secundária por Staphylococcus aureus, quadro conhecido como impetiginização, que frequentemente requer tratamento sistêmico devido à extensão e recorrência.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo