CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
Na drenagem do humor aquoso é correto afirmar que:
Simpaticomiméticos → ↑ Escoamento do aquoso (vias trabecular e uveoescleral).
O escoamento do humor aquoso é um processo dinâmico influenciado pelo tônus autonômico e pela pressão venosa episcleral, com predominância da via trabecular.
A homeostase da pressão intraocular (PIO) depende do equilíbrio entre a produção do humor aquoso pelo epitélio celíaco não pigmentado e sua drenagem. O escoamento ocorre por duas vias principais: a trabecular (pressão-dependente) e a uveoescleral (pressão-independente). Compreender a farmacologia dessas vias é essencial para o tratamento do glaucoma. Enquanto os betabloqueadores e inibidores da anidrase carbônica focam na redução da produção, os simpaticomiméticos, mióticos e análogos de prostaglandinas focam no aumento da drenagem. A via trabecular é limitada pela pressão venosa episcleral, um conceito fundamental para entender glaucomas secundários a patologias vasculares orbitárias.
Fármacos simpaticomiméticos, como a adrenalina e a dipivefrina, atuam nos receptores alfa e beta-adrenérgicos. A estimulação dos receptores beta no corpo ciliar pode aumentar levemente a produção, mas o efeito predominante que reduz a pressão intraocular é o aumento da facilidade de escoamento tanto pela via trabecular (através de alterações bioquímicas na malha trabecular) quanto pela via uveoescleral (por relaxamento do músculo ciliar).
A via trabecular (convencional) é dependente de pressão; o aquoso passa pela malha trabecular, canal de Schlemm e veias episclerais. Ela drena cerca de 80-90% do aquoso. A via uveoescleral (não convencional) é independente de pressão; o aquoso passa através do músculo ciliar para o espaço supracoroidiano. Esta via é o principal alvo de análogos de prostaglandinas.
Sim, de forma direta na via trabecular. Como o escoamento trabecular segue um gradiente de pressão, qualquer aumento na pressão venosa episcleral (ex: fístula carótido-cavernosa ou síndrome de Sturge-Weber) aumenta a resistência à saída do aquoso, elevando proporcionalmente a pressão intraocular. A PIO nunca pode ser menor que a pressão venosa episcleral através da via convencional.
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