Esclerose Tuberosa: Diagnóstico e Sinais Chave em Lactentes

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de cinco meses de vida deu entrada na emergência com quadro súbito de sucessivos espasmos infantis semelhantes a um abraço, com duração de poucos segundos, cada episódio, sem perda da consciência. Após estabilização do quadro, notam-se seis lesões hipopigmentadas no tórax, membros e dorso com sensibilidade preservada. A Tomografia Computadorizada de crânio apresentou duas imagens hiperdensas subependimárias arredondadas de 1cm de diâmetro cada e área em placa hiperdensa na região temporal esquerda de cerca de 2 x 2 cm. Durante a realização da anamnese, a plantonista observou que a mãe da paciente apresentava múltiplos sinais de pele de cor marrom na face e manchas hipocrômicas no dorso. Não há história de epilepsia na família. Qual é o diagnóstico desta lactente?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Sturge-Weber.
  2. B) Esclerose tuberosa.
  3. C) Citomegalovirose congênita.
  4. D) Neurofibromatose tipo 1.

Pérola Clínica

Esclerose tuberosa → espasmos infantis + máculas hipocrômicas + nódulos subependimários na TC.

Resumo-Chave

A tríade clássica de espasmos infantis, máculas hipocrômicas (manchas em folha de freixo) e achados neurológicos como nódulos subependimários na TC de crânio é altamente sugestiva de esclerose tuberosa. A presença de sinais cutâneos na mãe reforça o diagnóstico de uma doença autossômica dominante.

Contexto Educacional

A esclerose tuberosa (ET) é uma doença neurocutânea autossômica dominante rara, causada por mutações nos genes TSC1 ou TSC2. Caracteriza-se pelo desenvolvimento de tumores benignos em múltiplos órgãos, incluindo cérebro, pele, rins, coração e pulmões. A prevalência é de aproximadamente 1 em 6.000 nascidos vivos, sendo uma causa importante de epilepsia e deficiência intelectual na infância. O diagnóstico da ET é clínico, baseado em critérios maiores e menores. No caso apresentado, os espasmos infantis (um tipo de epilepsia grave), as lesões hipopigmentadas (máculas em folha de freixo) e os achados na TC de crânio (nódulos subependimários e tubérculos corticais) são critérios maiores. A presença de sinais cutâneos na mãe sugere o padrão de herança. O tratamento da ET é multidisciplinar e focado no manejo dos sintomas e complicações. Para os espasmos infantis, vigabatrina é a primeira linha. Inibidores de mTOR (everolimus) são usados para tumores como SEGA e angiofibromas renais. O prognóstico varia conforme a gravidade das manifestações, sendo crucial o acompanhamento regular para detecção precoce e manejo das complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da esclerose tuberosa em lactentes?

Os principais sinais incluem espasmos infantis (síndrome de West), máculas hipocrômicas (manchas em folha de freixo), angiofibromas faciais e nódulos subependimários no cérebro.

Como a tomografia de crânio auxilia no diagnóstico da esclerose tuberosa?

A TC de crânio pode revelar nódulos subependimários (tubérculos corticais) e astrocitomas subependimários de células gigantes (SEGA), que são achados patognomônicos da doença.

Qual a diferença entre esclerose tuberosa e neurofibromatose tipo 1?

A esclerose tuberosa é caracterizada por máculas hipocrômicas e angiofibromas, enquanto a neurofibromatose tipo 1 apresenta manchas café com leite e neurofibromas. Os achados neurológicos também são distintos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo