Esclerose Sistêmica e DPI: Tratamento com Ciclofosfamida

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 58 anos de idade compareceu ao hospital apresentando espessamento cutâneo nas mãos, no tronco e na face, fenômeno de Raynaud, há dois anos, associada a manifestações compatíveis com a doença do refluxo gastroesofágico. O paciente piorou progressivamente, com tosse seca e dispneia. A investigação complementar demonstrou fator antinúcleo reagente, antitopoisomerase reagente, e a tomografia de tórax identificou acometimento intersticial. Com base nessa situação hipotética e na principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta a droga indicada para o tratamento do acometimento pulmonar.

Alternativas

  1. A) metilprednisolona
  2. B) metotrexato
  3. C) ciclofosfamida
  4. D) leflunomida
  5. E) hidroxicloroquina

Pérola Clínica

Esclerose sistêmica difusa com doença pulmonar intersticial progressiva (anti-Scl-70) → Ciclofosfamida ou Micofenolato Mofetil.

Resumo-Chave

A paciente apresenta esclerose sistêmica difusa (espessamento cutâneo extenso, Raynaud, DRGE) com acometimento pulmonar intersticial progressivo e anticorpo antitopoisomerase I (Scl-70) positivo, um marcador de pior prognóstico e maior risco de fibrose pulmonar. Nesses casos, a ciclofosfamida é uma droga imunossupressora de primeira linha para o tratamento da doença pulmonar intersticial.

Contexto Educacional

A esclerose sistêmica, ou esclerodermia, é uma doença autoimune crônica e multissistêmica caracterizada por fibrose da pele e órgãos internos, vasculopatia e disfunção imune. A forma difusa, como a apresentada na questão, envolve espessamento cutâneo extenso e maior risco de acometimento de órgãos internos, como pulmões, trato gastrointestinal e rins. A doença pulmonar intersticial (DPI) é a principal causa de morbimortalidade na esclerose sistêmica, afetando até 90% dos pacientes e sendo particularmente comum na presença do anticorpo anti-topoisomerase I (anti-Scl-70). A fisiopatologia da esclerose sistêmica envolve a ativação de fibroblastos, levando à produção excessiva de colágeno e outras proteínas da matriz extracelular, resultando em fibrose. A vasculopatia contribui para o fenômeno de Raynaud e outras manifestações isquêmicas. O diagnóstico é clínico, com suporte de autoanticorpos (FAN, anti-Scl-70, anticentrômero). A suspeita de DPI deve ser alta em pacientes com esclerose sistêmica que desenvolvem tosse seca e dispneia, sendo confirmada por tomografia de tórax de alta resolução. O tratamento da DPI na esclerose sistêmica é desafiador. Para casos progressivos, especialmente associados ao anti-Scl-70, imunossupressores potentes são indicados. A ciclofosfamida é uma das drogas de primeira linha, utilizada para estabilizar ou melhorar a função pulmonar e retardar a progressão da fibrose. Outras opções incluem micofenolato mofetil e, mais recentemente, antifibróticos como nintedanibe. O prognóstico da DPI na esclerose sistêmica é variável, mas o tratamento precoce e agressivo pode melhorar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações da esclerose sistêmica difusa?

A esclerose sistêmica difusa é caracterizada por espessamento cutâneo extenso (tronco e face), fenômeno de Raynaud, acometimento gastroesofágico (DRGE), e alto risco de envolvimento pulmonar (DPI) e renal.

Qual o significado do anticorpo anti-topoisomerase I (anti-Scl-70) na esclerose sistêmica?

O anti-Scl-70 é um anticorpo específico para a esclerose sistêmica difusa, associado a maior risco de doença pulmonar intersticial e pior prognóstico.

Por que a ciclofosfamida é indicada para a doença pulmonar intersticial na esclerose sistêmica?

A ciclofosfamida é um potente imunossupressor que demonstrou eficácia em retardar a progressão da fibrose pulmonar e estabilizar a função pulmonar em pacientes com doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica.

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