PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o relato do caso clínico a seguir: Paciente, sexo feminino, 45 anos de idade, há 1 ano vem apresentado tosse seca sendo que há 6 meses houve piora, evoluindo com dispneia aos esforços, Nega comorbidades como hipertensão arterial sistêmica, diabetes e dislipidemia. Ao exame apresenta edema difuso nas mãos, presença de fenômeno de Raynaud, telangiectasias em face e microcicatrizes em polpas digitais. Ausculta pulmonar apresenta estertores crepitantes em bases pulmonares. Qual é o anticorpo associado ao caso clínico?
Esclerose Sistêmica Difusa + Fibrose Pulmonar (estertores) = Anti-Scl70 (Anti-topoisomerase I).
O anticorpo Anti-Scl70 (anti-topoisomerase I) é marcador da forma difusa da Esclerose Sistêmica e está fortemente associado ao desenvolvimento de doença pulmonar intersticial.
A Esclerose Sistêmica é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada por vasculopatia de pequenos vasos, ativação do sistema imune e fibrose excessiva da pele e órgãos internos. O pulmão é, atualmente, a principal causa de mortalidade nesses pacientes, seja por doença intersticial ou hipertensão pulmonar. O diagnóstico baseia-se nos critérios classificatórios ACR/EULAR, que pontuam o espessamento cutâneo, alterações capilaroscópicas, fenômeno de Raynaud e a presença de autoanticorpos específicos. O reconhecimento do Anti-Scl70 em um paciente com sintomas respiratórios direciona a investigação para tomografia de tórax de alta resolução e provas de função pulmonar, visando o tratamento precoce com imunossupressores.
O anticorpo Anti-Scl70, também conhecido como anti-topoisomerase I, é altamente específico para a Esclerose Sistêmica (ES). Ele está associado à forma cutânea difusa da doença, que se caracteriza por espessamento cutâneo proximal aos cotovelos e joelhos, além de envolvimento precoce e grave de órgãos internos. Sua principal correlação clínica é com a Doença Pulmonar Intersticial (fibrose pulmonar), manifestada clinicamente por dispneia progressiva e estertores crepitantes 'tipo velcro' nas bases pulmonares.
A paciente apresenta a tríade clássica da Esclerose Sistêmica: fenômeno de Raynaud (alteração vascular), alterações cutâneas (edema de mãos, telangiectasias e microcicatrizes em polpas digitais - 'pitting scars') e envolvimento visceral (tosse seca e dispneia sugerindo fibrose pulmonar). As microcicatrizes digitais são sinais de isquemia crônica decorrente da vasculopatia fibroproliferativa típica da doença.
Além do Anti-Scl70, destaca-se o Anti-centrômero, associado à forma cutânea limitada (antiga síndrome CREST), que tem progressão cutânea mais lenta e maior risco de hipertensão arterial pulmonar isolada. Outro anticorpo é o Anti-RNA polimerase III, associado à forma difusa e a um risco aumentado de crise renal esclerodérmica e neoplasias ocultas. O Anti-Ro (citado nas opções) é comum no Sjögren e Lúpus, e o Anti-Sm é patognomônico do Lúpus Eritematoso Sistêmico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo