Esclerose Múltipla: Diagnóstico por Imagem e Sinais Clínicos

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 32 anos refere, há cerca de seis horas, quadro de dor no olho direito, de forte intensidade, com piora progressiva, associada à turvação visual. Relata ainda dormência no membro superior esquerdo que começou há duas semanas. Ao exame, há redução da acuidade visual no olho direito e perda de sensibilidade tátil grosseira no membro. Além disso, nota-se sensação de choque em dorso, com irradiação para membros inferiores, precipitada por flexão do pescoço. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, o exame a ser solicitado para o melhor diagnóstico da doença é o(a):

Alternativas

  1. A) análise do líquido cefalorraquidiano
  2. B) ressonância magnética de crânio
  3. C) eletroencefalograma
  4. D) oftalmoscopia

Pérola Clínica

Neurite óptica + sintomas neurológicos multifocais + Sinal de Lhermitte → Esclerose Múltipla. RM de crânio é essencial.

Resumo-Chave

A apresentação clínica com neurite óptica (dor ocular, turvação visual), sintomas sensitivos multifocais (dormência em membro) e o sinal de Lhermitte (choque no dorso com flexão do pescoço) é altamente sugestiva de Esclerose Múltipla. A Ressonância Magnética de crânio e coluna é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, demonstrando lesões desmielinizantes disseminadas no espaço e no tempo.

Contexto Educacional

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória e desmielinizante crônica do sistema nervoso central, que afeta predominantemente adultos jovens. Caracteriza-se por episódios de disfunção neurológica (surtos) seguidos de recuperação, ou por uma progressão gradual dos sintomas. A apresentação clínica é altamente variável, refletindo a localização das lesões. No caso apresentado, a paciente de 32 anos com dor ocular e turvação visual (sugestivo de neurite óptica), dormência em membro superior e o clássico sinal de Lhermitte, tem um quadro clínico altamente compatível com EM. A neurite óptica é uma manifestação comum, e o sinal de Lhermitte indica lesão na medula espinhal cervical. A ocorrência de sintomas em diferentes locais do SNC e em diferentes momentos (dormência há duas semanas, dor ocular há seis horas) sugere disseminação no espaço e no tempo, pilares para o diagnóstico. O diagnóstico da EM é clínico, mas a Ressonância Magnética (RM) de crânio e medula espinhal é fundamental para confirmar a presença de lesões desmielinizantes. A RM permite visualizar as placas de desmielinização, avaliar sua atividade (com contraste) e demonstrar a disseminação no espaço e no tempo, conforme os critérios de McDonald. Outros exames, como a análise do líquido cefalorraquidiano (pesquisa de bandas oligoclonais), podem ser úteis, mas a RM é o exame de escolha para o melhor diagnóstico da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da Esclerose Múltipla?

Os sintomas da Esclerose Múltipla são variados e dependem da localização das lesões desmielinizantes. Incluem alterações visuais (neurite óptica, diplopia), dormência ou fraqueza em membros, problemas de equilíbrio e coordenação, fadiga, disfunção vesical e intestinal, e sintomas sensitivos como o sinal de Lhermitte.

O que é o sinal de Lhermitte e qual sua importância diagnóstica?

O sinal de Lhermitte é uma sensação de choque elétrico que irradia pelo dorso e membros inferiores ao fletir o pescoço. É um sintoma clássico de disfunção da medula espinhal cervical, frequentemente associado à Esclerose Múltipla, mas também pode ocorrer em outras condições que afetam a medula.

Qual o papel da Ressonância Magnética no diagnóstico da Esclerose Múltipla?

A Ressonância Magnética (RM) é o exame mais importante para o diagnóstico da Esclerose Múltipla. Ela detecta as lesões desmielinizantes no cérebro e medula espinhal, permitindo avaliar a disseminação das lesões no espaço (múltiplas localizações) e no tempo (lesões antigas e novas), que são critérios essenciais para o diagnóstico.

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