Esclerose Múltipla: Manifestações Neurológicas e Oculares

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 35 anos, sexo feminino, após quadro de perda sensitiva no membro superior direito, evoluiu com diplopia. Dentre as hipóteses diagnósticas a mais provável é:

Alternativas

  1. A) Adenoma hipofisário.
  2. B) Esclerose múltipla.
  3. C) Hipertensão intracraniana idiopática.
  4. D) Meningeoma do nervo óptico.

Pérola Clínica

Déficits neurológicos multifocais disseminados no tempo e espaço em jovens → Esclerose Múltipla.

Resumo-Chave

A esclerose múltipla é a principal causa de sintomas neurológicos recorrentes e polimórficos em adultos jovens, frequentemente manifestando-se com neurite óptica ou diplopia por acometimento do tronco encefálico.

Contexto Educacional

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica, desmielinizante e degenerativa do sistema nervoso central. Ela afeta predominantemente mulheres jovens e é caracterizada por episódios de disfunção neurológica que tendem a remitir e recorrer (forma surto-remissão). A fisiopatologia envolve a infiltração de linfócitos T e B através da barreira hematoencefálica, atacando a bainha de mielina e os axônios. Na prática clínica, a combinação de sintomas sensitivos prévios com uma queixa ocular atual (diplopia ou neurite óptica) deve sempre levantar a suspeita de EM. O reconhecimento precoce é vital, pois o início imediato de terapias modificadoras da doença (DMTs) pode reduzir significativamente a carga de lesões e a incapacidade a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Por que a esclerose múltipla causa diplopia?

A diplopia na esclerose múltipla (EM) ocorre devido a placas de desmielinização que afetam os nervos cranianos oculomotores (III, IV ou VI) ou, mais comumente, as vias de integração no tronco encefálico. Uma manifestação clássica é a Oftalmoplegia Internuclear (OIN), causada por uma lesão no fascículo longitudinal medial (FLM). Na OIN, há falha na adução do olho ipsilateral à lesão durante o olhar conjugado horizontal, acompanhada de nistagmo de abdução no olho contralateral. Em pacientes jovens, a OIN bilateral é altamente sugestiva de EM.

Como é feito o diagnóstico de esclerose múltipla?

O diagnóstico baseia-se nos Critérios de McDonald (revisados em 2017), que exigem a demonstração de disseminação no tempo (novas lesões ao longo do tempo) e no espaço (lesões em diferentes áreas do sistema nervoso central). A Ressonância Magnética (RM) de crânio e coluna é o exame de escolha, buscando lesões hiperintensas em T2 em áreas periventriculares, justa-corticais, infratentoriais ou medulares. A presença de bandas oligoclonais no líquido cefalorraquidiano (LCR) também auxilia no diagnóstico ao demonstrar inflamação crônica intratecal.

Quais são os sintomas iniciais mais comuns da EM?

Os sintomas iniciais variam amplamente devido à natureza multifocal da doença. Frequentemente, os pacientes apresentam neurite óptica (perda visual unilateral dolorosa), parestesias ou perda sensitiva em membros (como no caso da questão), fraqueza motora, ataxia ou diplopia. O fenômeno de Lhermitte (sensação de choque elétrico que desce pela coluna ao flexionar o pescoço) e o fenômeno de Uhthoff (piora dos sintomas com o aumento da temperatura corporal) são sinais clínicos clássicos que reforçam a suspeita diagnóstica.

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