Esclerose Múltipla: Diagnóstico por Ressonância Magnética

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 32 anos, apresentou sensação de formigamento e perda de sensibilidade em mão direita, autolimitada, por uma semana. Apresentou quadro gripal há cerca de três semanas e turvação visual com dor leve no olho esquerdo, que também melhorou após algumas semanas, sem tratamento específico. Nega tabagismo ou outros antecedentes mórbidos e não faz uso de medicação específica. Assintomática no momento da avaliação. Apresenta os seguintes antecedentes familiares: pai teve acidente vascular isquêmico aos 71 anos e sua mãe faz tratamento para diabetes. Assinale a alternativa que contém o exame mais apropriado para a investigação diagnóstica dessa paciente.

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia do punho direito.
  2. B) Eletroneuromiografia.
  3. C) Ressonância magnética do encéfalo.
  4. D) Dosagem de vitamina B12 e ácido fólico.
  5. E) Coleta de líquor.

Pérola Clínica

Sintomas neurológicos recorrentes (neurite óptica, parestesia) em jovem → suspeitar Esclerose Múltipla → RM encéfalo.

Resumo-Chave

A apresentação de sintomas neurológicos multifocais e recorrentes, como neurite óptica e parestesias, em um paciente jovem, sugere fortemente uma doença desmielinizante como a Esclerose Múltipla. A Ressonância Magnética do encéfalo é o exame mais apropriado para evidenciar lesões desmielinizantes e confirmar a disseminação no espaço e no tempo.

Contexto Educacional

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória e desmielinizante crônica do sistema nervoso central, de etiologia autoimune, que afeta predominantemente adultos jovens. Caracteriza-se por episódios de disfunção neurológica (surtos) seguidos por recuperação, com ou sem sequelas, e progressão da incapacidade ao longo do tempo. Sua apresentação clínica é altamente variável, o que pode dificultar o diagnóstico inicial, tornando-a um desafio para residentes. O quadro clínico da paciente, com episódios autolimitados de formigamento e perda de sensibilidade em mão direita, associados a um quadro gripal prévio (gatilho inflamatório) e, mais notavelmente, turvação visual com dor leve no olho esquerdo (sugestivo de neurite óptica), que também melhorou espontaneamente, é altamente sugestivo de Esclerose Múltipla. A recorrência e a multifocalidade dos sintomas (sensitivo e visual) são características-chave que indicam a disseminação no espaço e no tempo, pilares dos critérios diagnósticos de McDonald. Diante dessa suspeita, a Ressonância Magnética (RM) do encéfalo (e, se necessário, da medula espinhal) é o exame mais apropriado e sensível para a investigação. A RM pode identificar as lesões desmielinizantes típicas da EM, que se apresentam como placas hiperintensas em T2/FLAIR, e a presença de lesões com captação de contraste (gadolínio) indica atividade inflamatória recente. Outros exames como a análise do líquor (para bandas oligoclonais) e potenciais evocados podem complementar o diagnóstico, mas a RM é fundamental para a visualização das lesões.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas iniciais mais comuns da Esclerose Múltipla?

Os sintomas iniciais da Esclerose Múltipla são variados e podem incluir alterações sensitivas (formigamento, dormência), neurite óptica (turvação visual, dor ocular), fraqueza muscular, fadiga, desequilíbrio e problemas de coordenação. A recorrência e a multifocalidade são características importantes.

Por que a Ressonância Magnética do encéfalo é o exame mais apropriado para investigar Esclerose Múltipla?

A Ressonância Magnética do encéfalo (e medula espinhal) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de Esclerose Múltipla, pois permite visualizar as lesões desmielinizantes características da doença, evidenciando a disseminação no espaço e no tempo, conforme os critérios de McDonald.

Quais outros exames podem auxiliar no diagnóstico da Esclerose Múltipla?

Além da RM, a análise do líquor pode revelar bandas oligoclonais de IgG, que são sugestivas de Esclerose Múltipla. Potenciais evocados visuais, auditivos e somatossensitivos também podem demonstrar lentificação da condução nervosa, indicando desmielinização subclínica.

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