CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Qual dos sinais e sintomas abaixo é mais característico nos pacientes com esclerose múltipla?
Calor ↑ → Visão ↓ (Fenômeno de Uhthoff) = Esclerose Múltipla.
O fenômeno de Uhthoff é a exacerbação temporária de sintomas neurológicos (como embaçamento visual) devido ao aumento da temperatura corporal.
A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune crônica do sistema nervoso central caracterizada por inflamação, desmielinização e gliose. O fenômeno de Uhthoff, embora historicamente usado como teste diagnóstico (teste do banho quente), hoje é reconhecido como um indicador de reserva funcional reduzida em nervos previamente lesionados. Fisiopatologicamente, o calor reduz o limiar de bloqueio dos canais de sódio nos nós de Ranvier desnudados, impedindo a condução saltatória eficiente. Na prática médica, identificar esse sintoma ajuda a diferenciar recaídas reais (novas lesões) de 'pseudossurtos' (piora temporária de sintomas antigos por fatores externos), evitando tratamentos desnecessários com corticoterapia em altas doses.
O fenômeno de Uhthoff ocorre devido à sensibilidade térmica de axônios que sofreram desmielinização. O aumento da temperatura corporal (por exercício, febre ou banhos quentes) prejudica a condução de potenciais de ação através dessas fibras nervosas danificadas. Em nervos ópticos previamente afetados por neurite, isso se manifesta como um embaçamento visual transitório que reverte quando a temperatura normaliza.
A neurite óptica é frequentemente a manifestação inicial da Esclerose Múltipla em cerca de 20% dos pacientes. Caracteriza-se por perda visual subaguda unilateral, dor à movimentação ocular e discromatopsia. Mesmo após a recuperação da acuidade visual, o paciente pode manter defeitos subclínicos na condução nervosa, que se tornam evidentes sob estresse térmico (Uhthoff).
Além do fenômeno de Uhthoff, outros sinais clássicos incluem o Sinal de Lhermitte (sensação de choque elétrico que desce pela coluna ao flexionar o pescoço), a Oftalmoplegia Internuclear (por lesão no fascículo longitudinal medial) e a fadiga crônica. O diagnóstico é reforçado pela presença de lesões desmielinizantes 'disseminadas no tempo e no espaço' na Ressonância Magnética.
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