Esclerose Múltipla: Diagnóstico e Manejo do Surto Agudo

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 25 anos deu entrada no pronto-socorro por fraqueza aguda do hemicorpo esquerdo há 5 dias. Cerca de 2 anos antes, relatou diminuição súbita da acuidade visual do olho direito que melhorou parcial e espontaneamente. Ao exame, observou-se hemiparesia esquerda com predomínio crural, reflexos miotáticos profundos exaltados à esquerda, reflexo cutâneo plantar em extensão à esquerda, palidez da papila óptica direita com diminuição da resposta fotomotora no olho direito. Submetida à ressonância magnética que revelou múltiplas lesões ovaladas no corpo caloso, substância branca subcortical e em cerebelo. Havia lesões com e sem captação de contraste. Qual a melhor conduta imediata para a paciente?

Alternativas

  1. A) Aguardar exame do líquido cefalorraquidiano para definir conduta.
  2. B) Como não há critério para esclerose múltipla, repetir ressonância magnética em 90 dias.
  3. C) Pulsoterapia com metilprednisolona.
  4. D) Plasmaferese.

Pérola Clínica

Déficit neurológico focal + episódios prévios + lesões em tempos diferentes na RM = Esclerose Múltipla.

Resumo-Chave

O quadro clínico e radiológico (lesões com e sem contraste) confirma a disseminação no tempo e espaço, indicando surto agudo de EM tratável com corticoides.

Contexto Educacional

A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune inflamatória crônica do sistema nervoso central que causa desmielinização e dano axonal. A apresentação clássica em adultos jovens, com sintomas remitentes-recorrentes como neurite óptica e síndromes medulares, deve sempre levantar a suspeita. O diagnóstico evoluiu com os Critérios de McDonald, integrando clínica, imagem e, por vezes, análise do LCR. O manejo imediato foca no controle da inflamação aguda, enquanto o tratamento crônico visa prevenir novos surtos e a progressão da doença através de imunomoduladores ou imunossupressores.

Perguntas Frequentes

Como definir um surto de Esclerose Múltipla?

Um surto (ou recidiva) é definido como um novo déficit neurológico ou agravamento de um sintoma pré-existente que dura pelo menos 24 horas, na ausência de febre ou infecção (pseudossurto). Clinicamente, deve haver um intervalo de pelo menos 30 dias entre os eventos. No caso apresentado, a hemiparesia aguda após um histórico de neurite óptica preenche os critérios clínicos de disseminação no tempo.

Qual o papel da RM no diagnóstico da EM?

A Ressonância Magnética é fundamental para demonstrar a disseminação no espaço (lesões em áreas típicas como periventricular, justacortical, infratentorial ou medular) e no tempo (presença simultânea de lesões que captam contraste e lesões que não captam). Os Critérios de McDonald de 2017 permitem o diagnóstico de EM já no primeiro surto clínico se houver evidência radiológica de disseminação no tempo e espaço.

Quando indicar pulsoterapia com metilprednisolona?

A pulsoterapia está indicada em surtos agudos que causam incapacidade funcional ou sintomas significativos (motores, visuais, cerebelares). O esquema padrão é 1g de metilprednisolona EV por 3 a 5 dias. O objetivo é acelerar a recuperação do surto e reduzir a inflamação aguda, embora não altere o prognóstico de incapacidade a longo prazo, que depende das terapias modificadoras da doença (DMTs).

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