UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Uma paciente de 25 anos deu entrada no pronto-socorro por fraqueza aguda do hemicorpo esquerdo há 5 dias. Cerca de 2 anos antes, relatou diminuição súbita da acuidade visual do olho direito que melhorou parcial e espontaneamente. Ao exame, observou-se hemiparesia esquerda com predomínio crural, reflexos miotáticos profundos exaltados à esquerda, reflexo cutâneo plantar em extensão à esquerda, palidez da papila óptica direita com diminuição da resposta fotomotora no olho direito. Submetida à ressonância magnética que revelou múltiplas lesões ovaladas no corpo caloso, substância branca subcortical e em cerebelo. Havia lesões com e sem captação de contraste. Qual a melhor conduta imediata para a paciente?
Déficit neurológico focal + episódios prévios + lesões em tempos diferentes na RM = Esclerose Múltipla.
O quadro clínico e radiológico (lesões com e sem contraste) confirma a disseminação no tempo e espaço, indicando surto agudo de EM tratável com corticoides.
A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune inflamatória crônica do sistema nervoso central que causa desmielinização e dano axonal. A apresentação clássica em adultos jovens, com sintomas remitentes-recorrentes como neurite óptica e síndromes medulares, deve sempre levantar a suspeita. O diagnóstico evoluiu com os Critérios de McDonald, integrando clínica, imagem e, por vezes, análise do LCR. O manejo imediato foca no controle da inflamação aguda, enquanto o tratamento crônico visa prevenir novos surtos e a progressão da doença através de imunomoduladores ou imunossupressores.
Um surto (ou recidiva) é definido como um novo déficit neurológico ou agravamento de um sintoma pré-existente que dura pelo menos 24 horas, na ausência de febre ou infecção (pseudossurto). Clinicamente, deve haver um intervalo de pelo menos 30 dias entre os eventos. No caso apresentado, a hemiparesia aguda após um histórico de neurite óptica preenche os critérios clínicos de disseminação no tempo.
A Ressonância Magnética é fundamental para demonstrar a disseminação no espaço (lesões em áreas típicas como periventricular, justacortical, infratentorial ou medular) e no tempo (presença simultânea de lesões que captam contraste e lesões que não captam). Os Critérios de McDonald de 2017 permitem o diagnóstico de EM já no primeiro surto clínico se houver evidência radiológica de disseminação no tempo e espaço.
A pulsoterapia está indicada em surtos agudos que causam incapacidade funcional ou sintomas significativos (motores, visuais, cerebelares). O esquema padrão é 1g de metilprednisolona EV por 3 a 5 dias. O objetivo é acelerar a recuperação do surto e reduzir a inflamação aguda, embora não altere o prognóstico de incapacidade a longo prazo, que depende das terapias modificadoras da doença (DMTs).
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