CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
As imagens a seguir apresentam achados de ressonância magnética de duas doenças desmielinizantes que causam neurite óptica, doença A e doença B. De acordo com os achados mais comuns de cada uma delas, podemos afirmar:
Neurite óptica na EM → unilateral + retrobulbar; na NMO → bilateral + grave + Aquaporina-4+.
A Esclerose Múltipla (Doença A) tipicamente causa neurite óptica unilateral e retrobulbar, enquanto a Neuromielite Óptica (Doença B) é mais grave e frequentemente associada a anticorpos anti-AQP4.
As doenças desmielinizantes do sistema nervoso central representam um desafio diagnóstico importante. A Esclerose Múltipla é a mais comum, com fisiopatologia mediada por linfócitos T contra a bainha de mielina. Já a Neuromielite Óptica (NMOSD) é uma astrocitopatia autoimune, onde o anticorpo anti-AQP4 ataca os canais de água nos astrócitos, levando a uma inflamação muito mais destrutiva. O reconhecimento precoce é fundamental porque o tratamento de manutenção difere drasticamente. Certas medicações usadas para EM (como interferon-beta e natalizumabe) podem exacerbar a NMO. Portanto, a identificação de neurites ópticas bilaterais, graves ou com má resposta a corticoide deve sempre levantar a suspeita de NMOSD ou MOGAD.
Na Esclerose Múltipla (EM), a neurite óptica é classicamente unilateral em mais de 90% dos casos agudos. O paciente apresenta perda visual subaguda, discromatopsia (alteração na percepção de cores) e dor à movimentação ocular. Frequentemente, a inflamação é retrobulbar, o que significa que o exame de fundo de olho inicial pode ser normal (o médico não vê nada, e o paciente também não). A recuperação visual costuma ser boa após o surto, embora possam persistir alterações sutis na sensibilidade ao contraste.
A diferenciação laboratorial é crucial. Na Neuromielite Óptica (NMO), a pesquisa do anticorpo anti-aquaporina 4 (anti-AQP4) no soro é altamente específica e positiva em cerca de 70-80% dos casos. Já na Esclerose Múltipla, a presença de bandas oligoclonais (BOC) de IgG no líquor, não presentes no soro, é um marcador de síntese intratecal e faz parte dos critérios diagnósticos de McDonald. Na NMO, as BOC são menos frequentes e podem ser transitórias.
Na EM, a RM de crânio mostra tipicamente lesões periventriculares (dedos de Dawson), justacorticais ou infratentoriais. Na medula, as lesões são curtas (menos de 2 corpos vertebrais). Na NMO, a RM de crânio pode ser normal inicialmente, mas a RM de coluna revela mielite transversa longitudinalmente extensa (LETM), ocupando 3 ou mais segmentos vertebrais. A neurite óptica na NMO tende a envolver o quiasma óptico e ser mais extensa longitudinalmente no nervo.
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