CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020
Na esclerose múltipla, qual dos achados no líquor é mais característico?
Esclerose Múltipla → Bandas oligoclonais de IgG no LCR (produção intratecal).
A presença de bandas oligoclonais de IgG no líquor (LCR), que não são encontradas no soro, é o achado mais característico da esclerose múltipla, indicando produção intratecal de imunoglobulinas e inflamação crônica no sistema nervoso central.
A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica e desmielinizante do sistema nervoso central (SNC), que afeta predominantemente adultos jovens. Caracteriza-se por lesões inflamatórias e desmielinizantes dispersas no tempo e no espaço, levando a uma ampla gama de sintomas neurológicos. O diagnóstico da EM é complexo e baseia-se em critérios clínicos, achados de neuroimagem (ressonância magnética) e, frequentemente, análise do líquor (LCR). A análise do LCR é um componente importante no processo diagnóstico da EM, especialmente quando os critérios clínicos e de imagem não são totalmente conclusivos. O achado mais característico e de maior valor diagnóstico no LCR de pacientes com EM é a presença de bandas oligoclonais de imunoglobulina G (IgG), que são produzidas intratecalmente e não são encontradas no soro. Essas bandas refletem uma resposta imune humoral crônica dentro do SNC. Outros achados incluem uma leve pleocitose linfocitária e um discreto aumento das proteínas. A identificação das bandas oligoclonais no LCR, juntamente com os achados de ressonância magnética e a apresentação clínica, ajuda a confirmar o diagnóstico de EM e a diferenciá-la de outras condições neurológicas. Para residentes, é fundamental compreender o significado desses achados para a correta interpretação dos exames complementares e para a tomada de decisão diagnóstica e terapêutica. A presença de bandas oligoclonais é um critério de suporte importante nos critérios diagnósticos revisados de McDonald.
Bandas oligoclonais são populações restritas de imunoglobulinas (geralmente IgG) encontradas no líquor, mas não no soro, indicando síntese intratecal. Elas refletem uma resposta imune crônica no SNC e são um marcador diagnóstico chave para a esclerose múltipla.
Além das bandas oligoclonais, pode-se encontrar uma leve pleocitose (geralmente < 50 células/mm³, predominantemente linfócitos) e um discreto aumento da concentração de proteínas (< 100 mg/dL). O índice de IgG no LCR também pode estar elevado.
Embora altamente sugestivas, as bandas oligoclonais não são patognomônicas da esclerose múltipla. Podem ser encontradas em outras doenças inflamatórias crônicas do SNC, como neurosífilis, neurossarcoidose ou infecções crônicas, mas são mais prevalentes e persistentes na EM.
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