Esclerose Lateral Amiotrófica: Diagnóstico e Sinais Chave

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Homem, 50 anos de idade, apresenta fraqueza e espasmo muscular progressivo nos membros inferiores. Exame neurológico com hiperreflexia e eletroneuromiografia sugere acometimento de segundo neurônio motor. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Guillain-Barré.
  2. B) Esclerose múltipla.
  3. C) Esclerose lateral amiotrófica (ELA).
  4. D) Doença de Parkinson.

Pérola Clínica

ELA: acometimento progressivo de 1º (hiperreflexia) e 2º (fraqueza, espasmo) neurônio motor, sem alteração sensitiva.

Resumo-Chave

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores superiores e inferiores, resultando em fraqueza muscular, atrofia, fasciculações e espasticidade. A presença de sinais de ambos os neurônios motores, como hiperreflexia (1º NM) e fraqueza/espasmo com eletroneuromiografia alterada (2º NM), é crucial para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal que afeta os neurônios motores superiores e inferiores, levando à fraqueza muscular e atrofia. Sua prevalência é de cerca de 2-5 casos por 100.000 habitantes, com incidência maior em homens e idade de início geralmente entre 50 e 70 anos. É uma condição de grande impacto clínico devido à sua progressão rápida e ausência de cura, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes e neurologistas. A fisiopatologia da ELA envolve a degeneração seletiva dos neurônios motores no córtex cerebral, tronco encefálico e medula espinhal. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sinais de lesão de primeiro e segundo neurônio motor em múltiplas regiões do corpo, com progressão temporal e exclusão de outras causas. A eletroneuromiografia é essencial para confirmar o acometimento do segundo neurônio motor e excluir mimetizadores. A suspeita deve surgir em pacientes com fraqueza muscular progressiva, espasmos e alterações de reflexos. O tratamento da ELA é multidisciplinar e focado no manejo sintomático e na melhora da qualidade de vida. O Riluzol e o Edaravone são os únicos medicamentos aprovados que podem lentificar a progressão da doença. O prognóstico é reservado, com sobrevida média de 2 a 5 anos após o diagnóstico, principalmente devido à insuficiência respiratória. É crucial o suporte nutricional, respiratório e fisioterápico, além do manejo da disfagia e da sialorreia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?

A ELA se manifesta com fraqueza muscular progressiva, atrofia, fasciculações, espasmos e cãibras. É caracterizada pela combinação de sinais de lesão do primeiro neurônio motor (hiperreflexia, espasticidade) e do segundo neurônio motor (fraqueza, atrofia).

Como a eletroneuromiografia auxilia no diagnóstico da ELA?

A eletroneuromiografia (ENMG) é fundamental para confirmar o acometimento do segundo neurônio motor, evidenciando sinais de desnervação e reinervação crônica em múltiplos músculos, incluindo os bulbares, cervicais, torácicos e lombares, mesmo em músculos clinicamente normais.

Quais são os diagnósticos diferenciais importantes da ELA?

Os diagnósticos diferenciais incluem outras doenças do neurônio motor (como atrofia muscular espinhal), neuropatias motoras multifocais, mielopatias cervicais, esclerose múltipla e miopatias inflamatórias. A ausência de déficit sensitivo e a progressão da doença são pontos importantes para a diferenciação.

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