Esclerose Lateral Amiotrófica: Manifestações Clínicas e Diagnóstico

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa que acomete a ponta anterior da medula, baseando-se nesse conhecimento da neuroanatomia, podemos inferir as manifestações clínicas da ELA. Assim, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O quadro clinico inicial são manifestações sensitivas como parestesias em extremidades.
  2. B) Muitos pacientes iniciam a doença similar a uma mielite transversa, com nível sensitivo bem delimitado.
  3. C) A limitação motora só ocorre na musculatura distal dos membros.
  4. D) Não há acometimento sensitivo e os achados de doença di neurônio motor inferior são bem evidentes como fasciculações e atrofia.

Pérola Clínica

ELA = Sinais de NMS + NMI + Ausência de alterações sensitivas.

Resumo-Chave

A ELA é uma doença neurodegenerativa pura do sistema motor. O acometimento do corno anterior da medula (NMI) e do trato corticoespinhal (NMS) define o quadro, poupando obrigatoriamente a sensibilidade.

Contexto Educacional

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) representa o protótipo das doenças do neurônio motor. Sua patogênese envolve mecanismos complexos de excitotoxicidade glutamatérgica, estresse oxidativo e agregação proteica. A compreensão da neuroanatomia é vital para o diagnóstico: o acometimento da ponta anterior da medula justifica os achados de NMI, enquanto a degeneração do trato corticoespinhal justifica os achados de NMS. A preservação da sensibilidade e da motilidade ocular, além do controle esfincteriano (geralmente preservado até fases tardias), são marcos clínicos que auxiliam na diferenciação de outras síndromes neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de neurônio motor inferior (NMI) na ELA?

Os sinais de neurônio motor inferior na Esclerose Lateral Amiotrófica decorrem da degeneração das células do corno anterior da medula e de núcleos motores de nervos cranianos. Clinicamente, isso se manifesta como fraqueza muscular progressiva, atrofia muscular visível, fasciculações (contrações musculares involuntárias finas) e hiporreflexia ou arreflexia nos segmentos acometidos. É a combinação desses achados com sinais de neurônio motor superior (como espasticidade e hiperreflexia) no mesmo membro que sugere fortemente o diagnóstico de ELA.

Por que não há perda sensitiva na ELA?

A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa seletiva. A fisiopatologia envolve especificamente os neurônios motores superiores (córtex motor) e inferiores (tronco encefálico e medula espinhal). As vias sensitivas, incluindo os cordões posteriores (propriocepção e vibração) e o trato espinotalâmico (dor e temperatura), permanecem anatomicamente e funcionalmente íntegras. Portanto, a presença de parestesias, dormência ou nível sensitivo deve levar o clínico a considerar diagnósticos diferenciais como mielites, compressões medulares ou neuropatias periféricas.

Qual o papel da eletroneuromiografia no diagnóstico da ELA?

A eletroneuromiografia (ENM) é o exame complementar fundamental para confirmar o diagnóstico de ELA. Ela deve demonstrar evidências de denervação ativa (fibrilações e ondas agudas positivas) e denervação crônica (unidades motoras de grande amplitude e longa duração) em múltiplos segmentos corporais (cervical, torácico, lombo-sacro e bulbar). Além disso, a ENM é essencial para excluir outras condições que podem mimetizar a ELA, como a neuropatia motora multifocal com bloqueio de condução, garantindo que não existam alterações sensitivas nos estudos de condução nervosa.

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