Esclerose Lateral Amiotrófica: Diagnóstico e Sinais Clínicos

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente com queixa de fraqueza progressiva nos membros inferiores, inicialmente notada após subir escadas. Com o tempo, essa fraqueza se estendeu para os membros superiores. Relata dificuldade em engolir e fala arrastada. Não há histórico de dor. Ao exame físico, há atrofia muscular notável nos membros inferiores, reflexos tendinosos exagerados e sinais de fasciculações em ambos os braços. Não há déficits sensoriais. Não há história de doenças neurológicas familiares. A característica clínica relevante de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) nesse paciente é:

Alternativas

  1. A) Dificuldade progressiva em engolir.
  2. B) Paralisia flácida inicial nos membros superiores.
  3. C) Perda de sensibilidade nos membros inferiores.
  4. D) Reflexos tendinosos diminuídos.

Pérola Clínica

ELA = Sinais de 1º NM (hiperreflexia) + 2º NM (atrofia/fasciculação) + Progressão + Sensibilidade preservada.

Resumo-Chave

A ELA caracteriza-se pela degeneração simultânea de neurônios motores superiores e inferiores, manifestando-se com fraqueza progressiva e sintomas bulbares sem perda sensorial.

Contexto Educacional

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é a doença do neurônio motor mais comum, resultando em paralisia progressiva e fatal. A fisiopatologia envolve a morte de neurônios no córtex motor, tronco encefálico e corno anterior da medula espinhal. A apresentação clínica clássica é a fraqueza assimétrica de início distal, que progride para envolver outros miótomos e a musculatura bulbar. A ausência de dor e de alterações sensoriais é um marco distintivo importante. O manejo é multidisciplinar, focando em cuidados paliativos, suporte ventilatório e nutricional, além do uso de Riluzol para prolongar a sobrevida.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos básicos da ELA?

O diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é essencialmente clínico, baseado na evidência de degeneração do neurônio motor inferior (atrofia, fasciculações, fraqueza) e do neurônio motor superior (hiperreflexia, sinal de Babinski, espasticidade) em diferentes segmentos corporais (bulbar, cervical, torácico e lombo-sacro). É fundamental a natureza progressiva dos sintomas e a exclusão de outras patologias que possam mimetizar o quadro, como espondilose cervical ou neuropatias motoras multifocais. Exames complementares como a eletroneuromiografia corroboram a denervação ativa e crônica.

O que caracteriza o acometimento bulbar na ELA?

O acometimento bulbar na ELA manifesta-se principalmente por disartria (fala arrastada ou anasalada) e disfagia (dificuldade de deglutição, inicialmente para líquidos). Clinicamente, observa-se atrofia e fasciculações da língua (sinal de 2º neurônio motor) associadas a um reflexo mentoniano exacerbado ou labilidade emocional (sinal de 1º neurônio motor). A disfagia aumenta significativamente o risco de pneumonia aspirativa e desnutrição, sendo um marcador de pior prognóstico na evolução da doença.

Existem déficits sensoriais na Esclerose Lateral Amiotrófica?

Tipicamente, a ELA é uma doença puramente motora. A preservação da sensibilidade (tátil, dolorosa, térmica e vibratória) é uma característica clássica que ajuda a diferenciar a ELA de outras doenças neurológicas, como a esclerose múltipla ou polineuropatias. Além da sensibilidade, as funções autonômicas, o controle esfincteriano e os movimentos oculares costumam ser preservados até fases muito avançadas da doença. Qualquer alteração sensorial significativa deve levar o clínico a reconsiderar o diagnóstico.

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