Escleromalácia Perforans: Relação com Artrite Reumatoide

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

A Escleromalácia perforans ocorre mais frequentemente em:

Alternativas

  1. A) Pacientes do sexo feminino com espondiloartropatias
  2. B) Pacientes do sexo feminino com artrite reumatoide
  3. C) Pacientes do sexo masculino com artrite reumatoide
  4. D) Pacientes do sexo masculino com espondiloartropatias

Pérola Clínica

Escleromalácia perforans = Esclerite necrosante sem inflamação em mulheres com AR de longa data.

Resumo-Chave

A escleromalácia perforans é uma forma grave de esclerite necrosante não inflamatória que ocorre tipicamente em pacientes idosas com artrite reumatoide (AR) soropositiva de longa evolução.

Contexto Educacional

A escleromalácia perforans representa o espectro mais grave e silencioso das doenças esclerais. Sua patogênese envolve a degradação enzimática do colágeno escleral mediada por metaloproteinases de matriz, em um contexto de microvasculite obliterante. É fundamental que o médico residente identifique que, apesar da ausência de sintomas agudos como dor, a condição indica uma gravidade sistêmica importante. Historicamente, esta condição era mais comum antes do advento das terapias biológicas modernas para a artrite reumatoide. Hoje, sua incidência diminuiu, mas permanece como um marcador de erosão tecidual severa. O diagnóstico diferencial deve incluir a esclerite necrosante inflamatória (que é extremamente dolorosa) e a hialina senil (uma alteração benigna e localizada da esclera em idosos).

Perguntas Frequentes

O que define a escleromalácia perforans clinicamente?

A escleromalácia perforans é uma variante da esclerite necrosante que se manifesta de forma insidiosa e indolor, frequentemente descrita como 'olho branco'. Diferente de outras formas de esclerite, não apresenta congestão vascular ou dor intensa. O sinal cardeal é o afinamento progressivo da esclera, que permite a visualização da úvea subjacente (cor azulada). É quase exclusivamente associada à artrite reumatoide de longa data, refletindo uma vasculite de pequenos vasos que irriga a esclera. O manejo foca no controle da doença sistêmica de base, pois o risco de perfuração ocular espontânea é baixo, mas o prognóstico sistêmico é reservado devido à vasculite associada.

Por que a artrite reumatoide é o principal fator de risco?

A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune sistêmica que pode causar vasculite de pequenos e médios vasos. Na esclera, essa vasculite leva à isquemia e necrose do colágeno escleral. A escleromalácia perforans é considerada uma manifestação extra-articular grave da AR, geralmente ocorrendo em pacientes com fator reumatoide positivo e nódulos reumatoides subcutâneos. A predominância no sexo feminino reflete a própria epidemiologia da AR. A presença desta condição ocular sinaliza uma doença sistêmica mal controlada ou de longa data, exigindo uma abordagem multidisciplinar entre oftalmologistas e reumatologistas para otimizar a terapia imunossupressora.

Qual o tratamento para escleromalácia perforans?

O tratamento da escleromalácia perforans é primariamente sistêmico e não cirúrgico, a menos que haja ameaça iminente de perfuração. O foco principal é o controle agressivo da artrite reumatoide subjacente com agentes imunomoduladores, como corticosteroides sistêmicos, metotrexato ou agentes biológicos (anti-TNF ou rituximabe). Colírios de corticosteroides são geralmente evitados ou usados com extrema cautela, pois podem acelerar o afinamento escleral ao inibir a síntese de colágeno. Em casos de afinamento extremo com risco de ruptura, podem ser necessários enxertos de esclera, fáscia lata ou pericárdio para reforçar a integridade do globo ocular.

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