CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Sobre as esclerites, é correto afirmar:
Escleromalacea perforans = Esclerite necrosante indolor associada à Artrite Reumatoide de longa data.
A esclerite é uma inflamação grave da esclera, frequentemente associada a doenças sistêmicas. A forma necrosante sem inflamação (indolor) é típica da escleromalacea perforans em pacientes com AR.
A esclerite é classificada em anterior (difusa, nodular ou necrosante) e posterior. A forma anterior necrosante é a mais grave, podendo ocorrer com inflamação (dor intensa) ou sem inflamação (escleromalacea perforans). A associação com doenças do tecido conjuntivo é a regra, exigindo abordagem multidisciplinar entre oftalmologista e reumatologista. Clinicamente, o diagnóstico é auxiliado pela lâmpada de fenda sob luz natural para observar a coloração violácea e pelo teste da fenilefrina. O tratamento tópico é insuficiente na esclerite, sendo obrigatória a terapia sistêmica para controlar a inflamação e prevenir a perda visual ou perfuração do globo ocular.
A escleromalacea perforans é uma forma específica de esclerite necrosante anterior que ocorre quase exclusivamente em pacientes com Artrite Reumatoide (AR) de longa data, geralmente soropositivos. Diferente de outras formas de esclerite, ela se caracteriza por ser progressiva e indolor, resultando no afinamento extremo da esclera, o que permite a visualização da úvea subjacente através do tecido conjuntival íntegro. Não há uma resposta inflamatória exuberante, o que explica a ausência de dor, mas o risco de perfuração ocular por trauma mínimo é significativo.
A diferenciação clínica baseia-se na profundidade da hiperemia e na resposta a vasoconstritores. Na episclerite, os vasos são superficiais, apresentam coloração vermelho-viva e se movem sobre a esclera; além disso, eles sofrem vasoconstrição (clareiam) após a instilação de colírio de fenilefrina a 2,5% ou 10%. Na esclerite, os vasos envolvidos são do plexo epiescleral profundo, possuem coloração violácea/azulada, não se movem e não clareiam com fenilefrina. A dor na esclerite é tipicamente profunda, lancinante e piora com a movimentação ocular ou à noite.
A esclerite necrosante é uma emergência oftalmológica e sistêmica. O manejo inicial envolve uma investigação exaustiva para doenças autoimunes sistêmicas, como Artrite Reumatoide, Granulomatose com Poliangiite ou Lúpus Eritematoso Sistêmico, que estão presentes em até 50% dos casos. O tratamento requer imunossupressão sistêmica agressiva, geralmente com corticosteroides em altas doses (pulsoterapia se necessário) associados a agentes poupadores de corticoides (metotrexato, ciclofosfamida ou biológicos), pois a mortalidade sistêmica associada à vasculite subjacente é elevada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo