CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Quais drogas de uso sistêmico abaixo são as mais frequentemente indicadas para o tratamento de escleroceratites associadas à presença sérica de anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA)?
Escleroceratite ANCA+ → Imunossupressão sistêmica agressiva (Ciclofosfamida ou Rituximabe).
Escleroceratites associadas a vasculites sistêmicas (como GPA) exigem terapia sistêmica com agentes citotóxicos ou biológicos para controle da inflamação e prevenção de perfuração ocular.
A escleroceratite é uma inflamação grave que envolve a esclera e a córnea adjacente, frequentemente associada a doenças sistêmicas autoimunes. Quando há positividade para o ANCA, a suspeita clínica recai sobre as vasculites de pequenos vasos, notadamente a Granulomatose com Poliangiíte (GPA). Nestes casos, a inflamação ocular pode ser o sinal de apresentação de uma doença sistêmica potencialmente fatal, exigindo uma investigação diagnóstica minuciosa, incluindo avaliação renal e pulmonar. O tratamento dessas condições evoluiu de corticoides isolados para regimes de imunossupressão combinada. O uso de metotrexato é comum em formas menos agressivas, enquanto a ciclofosfamida tem sido o padrão-ouro para casos graves com risco de perda orgânica ou ocular. Recentemente, o rituximabe demonstrou não inferioridade à ciclofosfamida, tornando-se uma opção de primeira linha valiosa, especialmente para evitar a toxicidade cumulativa dos agentes alquilantes.
O ANCA (anticorpo anticitoplasma de neutrófilos) está fortemente associado a vasculites sistêmicas, como a Granulomatose com Poliangiíte (GPA). Na oftalmologia, a presença de ANCA em pacientes com esclerite necrosante ou escleroceratite indica uma alta probabilidade de doença sistêmica subjacente, muitas vezes ainda não diagnosticada. A fisiopatologia envolve a ativação de neutrófilos que causam danos vasculares e inflamação tecidual grave. O reconhecimento precoce é vital, pois essas condições têm alta morbidade ocular e mortalidade sistêmica se não tratadas com imunossupressão potente.
Esclerites associadas a vasculites sistêmicas não respondem adequadamente a terapias tópicas isoladas. A inflamação é mediada por mecanismos imunológicos sistêmicos que atacam os vasos da esclera e do limbo. O uso de corticoides sistêmicos associados a agentes poupadores de corticoide, como o metotrexato, ou agentes mais potentes como a ciclofosfamida e o rituximabe, é necessário para induzir a remissão e prevenir a destruição do globo ocular e complicações em outros órgãos, como pulmões e rins.
O rituximabe, um anticorpo monoclonal anti-CD20, é indicado em casos de esclerite ANCA-positiva refratária ao tratamento convencional ou como terapia de indução em formas graves de GPA. Estudos mostram que ele é tão eficaz quanto a ciclofosfamida para indução de remissão, com um perfil de segurança muitas vezes preferível em pacientes jovens ou com preocupações sobre toxicidade gonadal e risco de malignidade a longo prazo associados aos agentes alquilantes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo