CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Sobre as esclerites, é correta afirmar:
Esclerite necrosante → ↑ Associação com doenças sistêmicas potencialmente fatais.
As esclerites necrosantes são formas graves de inflamação escleral frequentemente ligadas a doenças autoimunes sistêmicas (como Artrite Reumatoide), exigindo investigação sistêmica imediata e imunossupressão.
A esclerite é uma condição inflamatória grave que ameaça a visão e sinaliza patologias sistêmicas ocultas. A classificação de Watson e Hayreh divide as esclerites em anteriores (difusa, nodular, necrosante com inflamação e escleromalacia perforans) e posteriores. A forma anterior difusa é a mais comum, mas a forma necrosante é a mais temida devido ao risco de perda ocular e associação com vasculites sistêmicas. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar entre oftalmologistas e reumatologistas. O tratamento das formas não necrosantes pode começar com AINEs sistêmicos, mas as formas necrosantes ou associadas a doenças sistêmicas requerem obrigatoriamente corticosteroides em doses altas e, frequentemente, agentes imunomoduladores (como metotrexato, ciclofosfamida ou biológicos). A investigação laboratorial deve incluir provas de atividade inflamatória, fator reumatoide, ANCA, FAN e sorologias para excluir causas infecciosas como sífilis e tuberculose.
A esclerite é frequentemente a manifestação inicial de uma doença sistêmica autoimune grave. Aproximadamente 30% a 50% dos pacientes com esclerite apresentam uma condição sistêmica associada. Essa correlação é ainda mais forte nas formas necrosantes, onde a prevalência de doenças como Artrite Reumatoide, Granulomatose com Poliangiite (Wegener) e Poliarterite Nodosa é significativamente maior do que nas formas não necrosantes (difusa ou nodular). A presença de esclerite necrosante é um marcador de gravidade sistêmica e está associada a um aumento na mortalidade se a doença de base não for tratada adequadamente com imunossupressão sistêmica.
A escleromalacia perforans é uma forma específica de esclerite anterior necrosante sem inflamação aparente. Ela ocorre quase exclusivamente em pacientes com Artrite Reumatoide de longa data e soropositiva. Diferente de outras esclerites, ela é caracteristicamente indolor. O processo envolve o afinamento progressivo da esclera devido à necrose, permitindo que a úvea subjacente se torne visível (aparência azulada ou acinzentada). Apesar do nome 'perforans', a perfuração espontânea é rara, a menos que haja trauma, mas o afinamento pode ser extremo.
A diferenciação é clínica e fundamental. A esclerite cursa com dor intensa, profunda, que muitas vezes acorda o paciente à noite e irradia para a face/órbita, além de apresentar um tom violáceo à luz natural. No exame com fenilefrina a 10%, os vasos episclerais superficiais na episclerite sofrem vasoconstrição ('clareiam'), enquanto os vasos profundos da esclerite não. Além disso, na esclerite, há edema da esclera (observado na lâmpada de fenda como deslocamento anterior do feixe de luz) e a palpação do globo ocular é extremamente dolorosa, o que não ocorre na episclerite.
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