HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020
Qual é o agente etiológico do paciente abaixo: Paciente X= Diarréia sangüinolenta aguda, apirética, seguida de anemia hemolítica, trombocitopenia, insuficiência renal.
Diarreia sanguinolenta apirética + SHU (anemia hemolítica, trombocitopenia, IR) → EHEC.
A tríade de diarreia sanguinolenta aguda (frequentemente apirética), anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda é altamente sugestiva de Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), sendo a Escherichia coli entero-hemorrágica (EHEC), produtora de toxina Shiga, o agente etiológico mais comum, especialmente o sorotipo O157:H7.
A Escherichia coli entero-hemorrágica (EHEC), particularmente o sorotipo O157:H7, é um patógeno intestinal de grande importância clínica devido à sua capacidade de causar colite hemorrágica e, em uma parcela dos pacientes, a grave Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU). A SHU é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. A fisiopatologia da SHU está intrinsecamente ligada à produção da toxina Shiga (também conhecida como verotoxina) pela EHEC. Essa toxina danifica as células endoteliais dos vasos sanguíneos, especialmente nos rins, levando à formação de trombos e à destruição dos glóbulos vermelhos. A apresentação clínica clássica inclui diarreia sanguinolenta, muitas vezes apirética, que precede o desenvolvimento da SHU em cerca de 5-10% dos casos, principalmente em crianças pequenas e idosos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais, pois a SHU pode levar a complicações graves e até à morte. É fundamental diferenciar a EHEC de outras causas de diarreia e evitar o uso de antibióticos em casos suspeitos, pois estes podem induzir a liberação de mais toxina Shiga e piorar o quadro. Para residentes, o reconhecimento rápido da SHU e a compreensão da sua etiologia são essenciais para a prática clínica e para as provas de residência.
A infecção por EHEC tipicamente começa com cólicas abdominais intensas e diarreia aquosa que rapidamente evolui para diarreia sanguinolenta (colite hemorrágica), geralmente sem febre alta. Em alguns casos, pode progredir para SHU.
A toxina Shiga, produzida pela EHEC, é absorvida e viaja pela corrente sanguínea, causando dano endotelial, especialmente nos glomérulos renais. Isso leva à formação de trombos, anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda, caracterizando a SHU.
Em caso de suspeita de SHU, a conduta é de suporte intensivo, incluindo hidratação rigorosa, monitoramento da função renal e eletrólitos, e transfusões se necessário. Antibióticos são geralmente contraindicados, pois podem aumentar a liberação de toxina Shiga e piorar o prognóstico.
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