Escarlatina: Diagnóstico, Sinais Clínicos e Tratamento

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Criança de seis anos de idade, natural e procedente de São Paulo, iniciou há cinco dias quadro de febre, coriza hialina, dor de garganta com odinofagia e tosse seca; evoluiu há um dia com surgimento de exantema máculo-papular inicialmente em pescoço e tronco, com progressão para membros, com acentuação nas dobras flexoras e palidez peri-oral. Ao exame clínico, apresenta-se em regular estado geral, com intensa hiperemia de orofaringe e exudato fibrino-purulento em amígdala esquerda, e adenomegalia cervical bilateral de até 1,5 cm.a. Cite a principal hipótese diagnóstica e qual seria o melhor exame para confirmar o diagnóstico etiológico.b. Cite dois diagnósticos diferenciais considerando apresentação clínica e epidemiologia.c. Qual é a conduta terapêutica considerando que a principal hipótese diagnóstica foi confirmada?

Alternativas

Pérola Clínica

Febre + Faringite + Exantema em lixa + Pastia/Filatov = Escarlatina.

Resumo-Chave

A escarlatina é uma manifestação da infecção pelo Streptococcus pyogenes mediada por toxinas eritrogênicas, caracterizada por exantema micropapular e sinais patognomônicos.

Contexto Educacional

A escarlatina é uma doença exantemática comum na idade escolar, resultante da infecção por cepas de Streptococcus pyogenes (Estreptococo do Grupo A) produtoras de exotoxinas pirogênicas (A, B ou C). O quadro clínico inicia-se com febre alta e faringite, evoluindo em 24-48 horas para um exantema maculopapular fino, que confere à pele uma textura de lixa. A progressão é centrífuga, com descamação lamelar subsequente. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas pode ser confirmado pelo teste rápido para detecção de antígeno estreptocócico (READ) ou cultura de orofaringe. O tratamento de escolha permanece a Penicilina, visando a prevenção primária da febre reumática, que pode ser evitada se o tratamento for iniciado em até 9 dias após o início dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Escarlatina de Doença de Kawasaki?

A Escarlatina é causada pelo Streptococcus pyogenes, apresenta febre de início agudo, odinofagia e responde rapidamente a antibióticos. O exantema tem textura de lixa. Já a Doença de Kawasaki é uma vasculite com febre persistente por pelo menos 5 dias, acompanhada de conjuntivite não purulenta, alterações em lábios/língua, edema de extremidades e linfonodopatia cervical, sem resposta a antibióticos.

O que são os sinais de Pastia e Filatov?

O sinal de Filatov refere-se à palidez perioral que contrasta com a face malar hiperemiada. O sinal de Pastia consiste na acentuação do exantema nas áreas de dobras (axilas, fossas cubitais, virilhas), formando linhas hemorrágicas que não desaparecem à digitopressão. Ambos são clássicos da escarlatina.

Qual o objetivo principal do tratamento antibiótico?

Embora a escarlatina seja frequentemente autolimitada, o tratamento com Penicilina (Benzatina ou V oral) ou Amoxicilina por 10 dias é mandatório para erradicar o Streptococcus pyogenes da orofaringe, prevenindo complicações não supurativas, principalmente a Febre Reumática, além de reduzir a transmissão e complicações supurativas locais.

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